O alerta está presente em dois relatórios divulgados pela OMS, que indicam que, apesar da existência de alguns medicamentos antifúngicos no mercado, os “médicos ainda enfrentam desafios significativos no tratamento de infeções fúngicas invasivas com risco de vida, com um leque limitado de opções”.
A agência das Nações Unidas sublinha a necessidade de aumentar o investimento em investigação e desenvolvimento de antifúngicos de largo e estreito espetro, com o objetivo de disponibilizar aos doentes melhores opções de tratamento e diagnóstico. Os relatórios destacam ainda a importância de estudos que determinem a eficácia dos tratamentos em crianças com doenças fúngicas invasivas (DFI).
Nos últimos 10 anos, apenas quatro novos antifúngicos foram aprovados pelas agências reguladoras dos Estados Unidos, Europa e China. Atualmente, há nove fármacos em diferentes fases de desenvolvimento clínico e testes para combater agentes patogénicos fúngicos prioritários. Contudo, apenas dois destes medicamentos se encontram na fase três de desenvolvimento, o que leva a OMS a prever que poucas novas autorizações de comercialização serão concedidas na próxima década.
Os relatórios alertam que os agentes antifúngicos atualmente em desenvolvimento, aliados aos aprovados na última década, continuam a ser insuficientes para combater os agentes patogénicos fúngicos de maior resistência identificados pela OMS. As doenças fúngicas variam desde infeções superficiais e localizadas até doenças invasivas graves, estas últimas associadas a uma elevada taxa de mortalidade, superior a 50% em populações de risco.
As infeções fúngicas invasivas afetam principalmente pessoas imunocomprometidas e incluem patologias como a meningoencefalite e a criptococose pulmonar. A candidíase invasiva, que pode levar a insuficiência de múltiplos órgãos e choque sético nos casos mais graves, é um dos exemplos mais comuns destas infeções.
A OMS estima que ocorram mais de 6,5 milhões de infeções fúngicas invasivas anualmente, resultando em 3,8 milhões de mortes, um valor superior ao anteriormente previsto pela organização, que variava entre 1,5 a dois milhões de óbitos por ano.
Os relatórios também alertam para a crescente resistência dos fungos aos medicamentos, um fenómeno impulsionado pelo aumento do uso de antifúngicos entre populações imunocomprometidas, pela utilização generalizada de fungicidas na agricultura e pelas alterações ambientais globais.
Fonte: Lusa


