Utentes de Sintra em vigília contra falta de médicos e longas esperas no SNS

01/04/25
Utentes de Sintra em vigília contra falta de médicos e longas esperas no SNS

A Comissão de Utentes do Concelho de Sintra iniciou hoje, dia 1 de abril, às 07h00, uma vigília junto ao Centro de Saúde do Olival, no Cacém, para denunciar a falta de médicos. No local, dezenas de utentes aguardavam por uma consulta, alguns desde a noite anterior.

Amália Alface, representante da Comissão de Utentes da Saúde do Concelho de Sintra, afirma que a situação reflete o desinvestimento no setor, especialmente no reforço de recursos humanos. "Às 07h30 estão dezenas de pessoas à porta à espera de conseguir uma consulta. Está aqui uma pessoa desde as 22h00 de ontem (segunda-feira). Neste centro de saúde estão inscritas 15 mil pessoas e 90% não tem médico de família. Aliás, há apenas um médico de família", denunciou.

Nos próximos dias, a Comissão irá promover diversas ações de protesto em diferentes centros de saúde do concelho, culminando numa marcha pela defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), agendada para 12 de abril. Para além de exigir mais médicos de família, a iniciativa visa também alertar para os tempos de espera excessivos nos hospitais e para a possibilidade de privatização de serviços de saúde.

Amália Alface recordou que cerca de 184 mil utentes na Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra estão sem médico de família. "Esta falta de médicos de família condiciona o acesso das populações aos cuidados de saúde primários e causa o congestionamento das urgências hospitalares", explica, acrescentando que os tempos de espera no Hospital Amadora-Sintra podem ultrapassar as 30 horas.

No protesto de 12 de abril, os utentes irão reivindicar melhores condições para o SNS, incluindo mais meios humanos, técnicos e financeiros, o reforço da rede de cuidados de saúde primários e continuados, e equipas de saúde permanentes com condições de trabalho e descanso adequadas.

Exigem ainda "médico e enfermeiro de família para todos os utentes que ponha fim à vergonha das longas filas de espera para marcar uma consulta e um novo hospital público no concelho de Sintra, com 320 camas, que permita às populações dos concelhos de Amadora e Sintra um efetivo acesso aos cuidados de saúde a que têm direito".

Os utentes também rejeitam o regresso da Parceria Público-Privada (PPP) ao Hospital Amadora-Sintra, considerando-a "um verdadeiro sorvedouro de dinheiro público". Alertam ainda para a possibilidade de uma PPP abranger toda a ULS, incluindo centros de saúde de Sintra e Amadora, o que, segundo a comissão, representa "o culminar de um processo de privatização dos serviços de saúde".

A Comissão de Utentes alerta que o SNS tem sofrido "um enorme ataque" devido às políticas implementadas nos últimos anos, colocando em risco o princípio de acesso universal e gratuito à saúde.

Fonte: Lusa

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