Relatório do ONDR 2024 demonstra redução nos internamentos e na mortalidade por DPOC nos últimos cinco anos

03/04/25
Relatório do ONDR 2024 demonstra redução nos internamentos e na mortalidade por DPOC nos últimos cinco anos

O Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) de 2024, divulgado pela Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), aponta para uma tendência de redução nos internamentos e na mortalidade por Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) nos últimos cinco anos, com exceção do período pandémico. Os dados sugerem que esta evolução pode estar relacionada com novas abordagens terapêuticas e estratégias de vacinação.

José Alves, pneumologista e presidente da FPP, destaca que “a melhoria na abordagem terapêutica graças a novas opções farmacológicas, a maior adesão à vacinação contra a gripe e o pneumococo, a expansão de modelos de atendimento alternativos como hospitais de dia e internamento domiciliário, bem como o reforço do diagnóstico precoce com melhor acompanhamento em ambulatório”. No entanto, alerta que “a mortalidade associada à DPOC é significativamente mais elevada nos doentes com necessidade de ventilação, o que reflete a gravidade da doença nas fases avançadas”.

O relatório salienta também a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento domiciliário para reduzir internamentos evitáveis, chamando a atenção para a necessidade de uniformizar critérios de internamento e ventilação entre unidades hospitalares. Pela primeira vez, são apresentados dados sobre a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), indicando uma redução de 27% nos internamentos entre 2018 e 2023, o que poderá estar associado a diagnósticos mais precoces e tratamentos atempados.

Além da DPOC, o relatório analisa outras doenças respiratórias, como a asma brônquica, cujo número de internamentos tem aumentado em menores de 17 anos, e o cancro do pulmão, onde se regista um crescimento contínuo da incidência no sexo feminino. Já a pneumonia bacteriana apresenta um aumento dos internamentos e da mortalidade em 2023 face ao ano anterior.

Entre as recomendações do relatório, destaca-se o reforço do rastreio e do diagnóstico precoce, especialmente na DPOC, no cancro do pulmão e na SAOS, e a aposta na gestão em ambulatório para evitar internamentos desnecessários. O ONDR 2024, baseado em dados da Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS), pretende ser uma ferramenta de apoio à decisão clínica e à gestão de recursos, promovendo uma assistência mais eficaz e eficiente.

Partilhar

Publicações