Universidades do Porto e Coimbra desenvolvem penso cardíaco inteligente que acelera recuperação após enfarte

13/05/25
Universidades do Porto e Coimbra desenvolvem penso cardíaco inteligente que acelera recuperação após enfarte

Investigadores das universidades do Porto e de Coimbra criaram um “penso cardíaco inteligente” que utiliza os próprios batimentos do coração para melhorar a condução elétrica e apoiar a regeneração cardíaca após enfarte do miocárdio. A inovação, publicada na revista científica Materials Today Bio, representa um avanço promissor no tratamento de uma das principais causas de morte a nível mundial.

O novo dispositivo terapêutico resulta de uma colaboração entre o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e o Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC). O penso é constituído por um biomaterial piezoelétrico, capaz de gerar impulsos elétricos a partir do movimento natural do coração.

Segundo o i3S, esta abordagem permite estimular a função elétrica cardíaca e favorecer a recuperação do tecido danificado. Lino Ferreira, investigador responsável pela equipa do CNC-UC, explica que os primeiros testes in vitro foram “muito promissores”, levando à realização de ensaios em modelos animais para avaliar a eficácia e segurança do penso em contexto de enfarte.

Diana Nascimento, investigadora do i3S, sublinha a singularidade da solução, garantindo que este penso “é único porque, quando colocado na superfície do coração, tira partido dos batimentos cardíacos para gerar novos impulsos elétricos”. A equipa procurou, com esta tecnologia, reforçar a resposta cardíaca após o enfarte, contribuindo para uma melhor recuperação funcional.

O primeiro autor do estudo, Luís Monteiro, destaca que os testes realizados em ratinhos mostraram que os biomateriais piezoelétricos melhoram a condução elétrica do coração e ajudam na sua recuperação após enfarte. Além disso, os ensaios em corações de porco demonstraram que a aplicação do dispositivo não compromete a função normal do órgão, confirmando a sua segurança.

De acordo com Lino Ferreira, esta abordagem poderá ainda “minimizar a ocorrência de arritmias”, uma das complicações mais graves e potencialmente fatais após um enfarte do miocárdio.

Neste momento, os investigadores estão a explorar novas funcionalidades deste biomaterial no âmbito do projeto europeu REBORN, que visa combinar os benefícios da piezoeletricidade com a capacidade de libertação controlada de fármacos, com o objetivo de promover de forma mais eficaz a regeneração do tecido cardíaco.

Fonte: Lusa

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