Único candidato às eleições, que decorrem entre 29 de maio e 3 de junho, Carlos Cortes, patologista clínico, lidera atualmente a Ordem desde março de 2023, altura em que foi eleito com 61,94% dos votos.
A revisão dos Estatutos da instituição é uma prioridade do candidato, que considera que a última alteração “comprometeu competências estruturais” da OM. Para “reverter os aspetos lesivos do novo Estatuto”, afirma querer continuar os esforços junto do Governo, partidos e Presidência da República, defendendo que a formação médica e a autorregulação são “pilares não negociáveis”.
No próximo mandato, propõe também reforçar a voz dos médicos nas decisões políticas, defendendo que esta tem sido “subaproveitada no desenho de políticas públicas”. Nesse sentido, pretende envolver os profissionais em temas como natalidade, envelhecimento e ética pública, além de desenvolver propostas legislativas próprias e criar um “Simplex Médico”, com foco na simplificação administrativa orientada para a qualidade.
Outra medida passa pela realização de censos nacionais que permitam avaliar, com base em “dados robustos”, a distribuição de médicos, as especialidades carenciadas e os efeitos da emigração, de modo a ajustar os internatos e fazer um planeamento de longo prazo.
Carlos Cortes prevê ainda lançar debates regionais com a participação de médicos, escolas médicas, associações de doentes e sociedade civil, com o objetivo de produzir um documento com propostas concretas para um “rumo para a saúde”.
Entre outras propostas do seu programa estão a criação da Academia OM, para formação certificada de apoio a todos os médicos, um seguro de saúde corporativo com benefícios para médicos e respetivas famílias, o reforço do Observatório do Ato Médico, a modernização da Ordem com projetos de transformação digital e um plano de coesão territorial da carreira médica, negociado com autarquias e Governo, para incentivar a fixação de médicos.
Face ao novo ciclo político que se avizinha, Carlos Cortes sublinha a importância de “reafirmar princípios” como a valorização efetiva dos médicos, a criação de “condições dignas” de trabalho e a “defesa inequívoca” da qualidade dos cuidados de saúde. “Estes são os pilares que sustentam esta candidatura, não como um fim em si, mas como um instrumento ao serviço de todos”, afirma.
Num tempo em que “tantos colegas se sentem exaustos, desvalorizados ou desligados da sua missão”, o bastonário considera ser “urgente recuperar a motivação, o orgulho e o sentido de pertença que sempre caracterizaram” a profissão médica.
As eleições foram antecipadas para este mês na sequência da entrada em vigor do novo Estatuto da OM, que determina a realização do ato eleitoral no prazo de um ano após a sua publicação.
Fonte: Lusa


