Nova classe de antibióticos naturais mostra potencial no combate a bactérias multirresistentes

05/06/25
Nova classe de antibióticos naturais mostra potencial no combate a bactérias multirresistentes

Uma equipa de cientistas liderada pela Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) identificou uma nova classe de peptídeos antimicrobianos presentes em proteínas do corpo humano, com potencial para eliminar bactérias multirresistentes responsáveis por infeções hospitalares graves.

O estudo, publicado na revista Molecular Systems Biology, revela uma possível fonte de “antibióticos naturais” que pode abrir caminho para tratamentos “mais eficazes” contra infeções que não respondem aos antibióticos convencionais, refere a UAB em comunicado.

A investigação focou-se na análise de mais de uma centena de proteínas conhecidas como “proteínas de ligação a glicosaminoglicanos (HBP)”, habitualmente envolvidas em processos como a coagulação sanguínea e a inflamação.

Marc Torrent, investigador do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UAB e coordenador do estudo, explicou que tudo começou com uma observação inesperada: “Certas proteínas do nosso corpo que se ligam à heparina, uma molécula que regula processos como a coagulação e a inflamação, também podem reconhecer estruturas semelhantes encontradas na superfície de bactérias perigosas”, acrescentou.

A partir desta constatação, os investigadores identificaram e sintetizaram fragmentos dessas proteínas com “potencial antimicrobiano”, selecionando cinco peptídeos com atividade significativa contra estirpes bacterianas associadas a infeções hospitalares graves.

Entre estes, o peptídeo designado ‘HBP-5’ destacou-se pelos resultados promissores: demonstrou elevada eficácia na eliminação de bactérias em laboratório, mesmo em concentrações muito reduzidas, e foi eficaz num modelo de sépsis em ratos infetados, reduzindo de forma significativa a carga bacteriana.

“Estes peptídeos destacam-se pela sua potência e especificidade, com uma toxicidade muito baixa nas células humanas, o que indica que podem ser seguros como base para futuros tratamentos”, sublinhou Marc Torrent.

De acordo com o investigador, esta descoberta “abre-se a porta a uma nova família de antibióticos derivados de proteínas próprias do corpo, com a vantagem de poderem atuar especificamente contra bactérias resistentes sem afetar as células saudáveis”.

Fonte: Lusa

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