Ordem dos Médicos exige abertura de todas as vagas em Medicina Geral e Familiar nas zonas carenciadas

23/06/25
Ordem dos Médicos exige abertura de todas as vagas em Medicina Geral e Familiar nas zonas carenciadas

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Carlos Cortes, defendeu, em comunicado, a abertura de todas as vagas disponíveis em Medicina Geral e Familiar (MGF) nas regiões onde se verifica carência de profissionais, alertando para as “falhas gritantes” ocorridas na colocação dos novos especialistas.

“É inaceitável que existam utentes sem médico de família e, em simultâneo, especialistas em medicina geral e familiar sem colocação. Este é um problema de gestão, não de recursos”, afirmou o bastonário da OM.

De acordo com os dados mais recentes do portal da transparência do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o número de utentes sem médico de família continua a aumentar, tendo passado de 1.564.203 em janeiro para 1.633.701 em abril deste ano — um acréscimo de cerca de 70 mil pessoas.

Para a OM, a situação da MGF atingiu um ponto crítico. “Milhares de utentes permanecem sem médico de família atribuído, enquanto a resposta pública continua marcada pela inação e por falhas graves na colocação dos especialistas disponíveis”, lê-se na nota divulgada.

Nesse sentido, a estrutura liderada por Carlos Cortes exige que todas as vagas em zonas com carência real de cuidados de saúde sejam abertas, à semelhança do que sucedeu em 2023. “Esta é uma medida elementar de justiça para com os profissionais e de proteção para com as populações”, reforça a Ordem, considerando “inadmissível” que se continue a desperdiçar uma geração de médicos altamente qualificados, deixando comunidades “ao abandono por inércia ou rigidez administrativa”.

Além da abertura de vagas, a OM defende a realização regular de concursos de mobilidade, permitindo que os médicos possam adequar os seus percursos profissionais às necessidades do sistema de saúde e à sua própria realidade pessoal.

“O atual bloqueio aos movimentos entre unidades de saúde é desmotivador, injusto e contribui para a erosão do SNS”, alertou Carlos Cortes, sublinhando ainda que, nas regiões mais desfavorecidas, o Estado deve assumir um papel proativo, disponibilizando incentivos remuneratórios, habitacionais, profissionais e formativos para atrair e fixar médicos.

Segundo o bastonário da OM, não faltam médicos formados em Portugal, mas sim “vontade política, visão estratégica e uma estrutura administrativa funcional”. Todos os anos, dezenas de jovens especialistas concluem a formação sem conseguirem aceder a uma vaga no SNS em zonas onde são claramente necessários.

“O Ministério da Saúde, ao não abrir concursos nas regiões carenciadas, empurra médicos para fora do SNS, comprometendo o acesso das populações a cuidados primários de saúde”, conclui Carlos Cortes.

Fonte: Lusa

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