Inteligência artificial é vista como solução para problemas crónicos do SNS

07/07/25
Inteligência artificial é vista como solução para problemas crónicos do SNS

Um estudo realizado pela NOVA Information Management School (NOVA-IMS), em parceria com a AbbVie, destaca que a utilização de inteligência artificial (IA) na saúde, durante o ano de 2024, ainda era reduzida, mas a maioria dos portugueses acredita no seu impacto positivo e reconhece o seu contributo para reduzir o absentismo laboral e melhorar a produtividade no ano de 2024.

Apesar da utilização de IA na saúde ainda ser pouco expressiva em Portugal (9%), a perceção dos portugueses é largamente positiva. De acordo com o estudo realizado, 59% dos portugueses acreditam que a IA terá um impacto benéfico na saúde, especialmente na rapidez dos diagnósticos e na redução dos tempos de espera, considerados dois dos maiores problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Por outro lado, persistem receios relevantes. Mais de metade dos inquiridos teme erros em diagnósticos e tratamentos (57%) e há preocupação com a eventual substituição de profissionais de saúde por tecnologia (55%).

Ainda assim, os portugueses mostram-se favoráveis a um modelo de complementaridade: 63% prefere que as decisões clínicas sejam tomadas pelos médicos com o apoio da IA, apenas 1% confia exclusivamente numa decisão automática sem intervenção humana.

A maioria também defende uma regulação apertada da utilização da IA na saúde, considerando-a essencial para garantir a segurança dos doentes.

O estudo avalia igualmente o estado geral do SNS, cujo índice de sustentabilidade caiu para 79,9 pontos em 2024, uma descida de 4,9 pontos face ao ano anterior, sendo o valor mais baixo desde 2014.

Esta redução deve-se a uma combinação de fatores estruturais, sendo a produtividade um dos mais preocupantes, com o número de doentes padrão por milhão de euros investido a atingir o valor mais baixo da década: 185 em 2024, face aos 202 de 2023.

Olhando para as várias dimensões que compõem o índice de sustentabilidade, vemos que a qualidade se mantém estável, a acessibilidade regista uma ligeira melhoria, mas continua a ser um dos pontos mais frágeis, e a dívida vencida apresentou uma redução significativa. No entanto, a despesa cresce a um ritmo mais acelerado do que a atividade do SNS, o que resulta numa quebra da produtividade e, consequentemente, numa queda do índice global de sustentabilidade, explica Pedro Simões Coelho, professor da NOVA-IMS e coordenador do Índice de Saúde Sustentável.

Ainda assim, a qualidade técnica do SNS manteve-se estável e a perceção dos doentes melhorou ligeiramente. Os tempos de espera, contudo, continuam a ser a principal área de insatisfação.

Apesar das fragilidades identificadas, como os tempos de espera e a acessibilidade, a confiança dos portugueses no sistema continua elevada, particularmente no que diz respeito aos cuidados de internamento e à competência dos profissionais de saúde, apontados como o principal ponto forte do SNS.

Em termos económicos, o impacto do SNS em 2024 foi estimado em 9,5 mil milhões de euros, resultado direto da sua contribuição para a redução do absentismo laboral e para a melhoria da produtividade dos trabalhadores. O sistema permitiu evitar, em média, dois dias de ausência ao trabalho por pessoa e a perda de mais de dez dias de produtividade, o que representa uma poupança substancial para o país.

Este retorno económico reforça a importância de um SNS eficiente, capaz de acompanhar os desafios tecnológicos e de continuar a gerar valor para os cidadãos e para a economia nacional.

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