Segundo a investigadora, “sabe-se que o microbioma comunica com o sistema nervoso central através do eixo intestino-cérebro, influenciando funções como o humor, a impulsividade e a tomada de decisão”. Na adolescência — fase particularmente vulnerável a influências externas e marcada por instabilidade emocional — este mecanismo assume especial relevância.
Com base em evidência crescente, nomeadamente estudos com modelos animais, que indicam que alterações na microbiota podem ter consequências duradouras na saúde mental e comportamental, o projeto MINDSET pretende mapear as interações entre o intestino e o sistema neuro-imuno-endócrino. A equipa de investigação vai recolher amostras de fezes e sangue de jovens entre os 12 e os 18 anos, avaliando marcadores inflamatórios e hormonais, e cruzando-os com resultados de questionários e tarefas comportamentais que medem impulsividade, busca de sensações e regulação emocional.
“Ao compreendermos melhor estas interações, poderemos desenvolver intervenções mais precoces e eficazes que ajudem a prevenir comportamentos de risco, como consumo de substâncias, condução imprudente ou atividade sexual desprotegida”, explica Joana Ferreira Gomes.
A longo prazo, o estudo poderá abrir caminho a novas abordagens terapêuticas, como a modulação do microbioma intestinal para promover o equilíbrio emocional e proteger a saúde física e mental dos adolescentes.
O recrutamento de voluntários ainda está em curso e as manifestações de interesse podem ser submetidas através do site oficial.


