Nova plataforma com inteligência artificial quer reduzir pressão nas urgências do SNS

24/07/25
Nova plataforma com inteligência artificial quer reduzir pressão nas urgências do SNS

Projeto HUMAI, High Users Management with AI, identifica utentes com padrões de utilização frequente das urgências hospitalares e permite intervenções personalizadas. A iniciativa junta a Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal (ULSAS), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCT) e o laboratório Value for Health CoLAB.

Uma nova plataforma digital inteligente, baseada em inteligência artificial (IA), está a ser desenvolvida para responder a um dos maiores desafios do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a sobreutilização dos serviços de urgência por parte de utilizadores frequentes.

A plataforma vai utilizar algoritmos preditivos e dados clínicos para antecipar comportamentos de uso intensivo dos serviços de urgência e permitir uma resposta mais eficaz e personalizada por parte dos profissionais de saúde.

A iniciativa baseia-se na experiência do Grupo de Resolução de Utilizadores Muito Frequentes (GRHU), criado em 2016, que já demonstrou resultados concretos: menos 51% de episódios de urgência e internamentos e uma redução de 44% nos custos associados ao acompanhamento de utentes frequentes, segundo dados de 2021.

“O GRHU tem apresentado um impacto muito positivo ao longo destes anos e com este novo projeto poderá ver aumentada a sua eficácia. Estamos convictos de que o HUMAI, atuando de forma preventiva, permitirá melhorar ainda mais os cuidados prestados aos nossos utentes e otimizar a resposta do Serviço de Urgência Geral do Hospital Garcia de Orta”, afirma Pedro Correia Azevedo, presidente do Conselho de Administração da ULSAS.

O HUMAI pretende agora escalar essa solução a nível nacional, criando um modelo replicável noutras unidades do SNS. O projeto conta com o envolvimento de equipas multidisciplinares e com a integração de dados clínicos para apoiar decisões em tempo útil.

“Este projeto demonstra que a inteligência artificial pode e deve estar ao serviço das organizações públicas, com soluções inovadoras baseadas em dados da nossa população e que promovam a utilização eficiente dos recursos do SNS”, sublinha Ana Londral, diretora executiva e científica do Value for Health CoLAB e professora na NOVA FCT.

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