De acordo com dados recentes divulgados pela SPP, entre 70 a 75% dos casos de cancro do pulmão continuam a ser diagnosticados em estádios avançados ou metastáticos, comprometendo seriamente as hipóteses de sobrevivência dos doentes.
As pneumologistas Daniela Madama e Joana Catarata identificam o tabagismo, responsável por cerca de 85% dos casos, como o principal fator de risco. Destacam ainda a exposição a poluentes ambientais e ocupacionais, o envelhecimento da população e a inexistência de um programa de rastreio estruturado como causas significativas para o aumento da mortalidade associada à doença.
Entre as propostas prioritárias defendidas pelas especialistas, destaca-se a implementação urgente de um programa de rastreio com tomografia computorizada (TC) de baixa dose, dirigido a grupos de risco, nomeadamente fumadores e ex-fumadores entre os 50 e os 75 anos, com uma carga tabágica superior a 20 unidades maço/ano.
Sendo o tabagismo o principal fator de risco para o aparecimento de cancro do pulmão, as especialistas destacam a importância de se prevenir de forma eficaz a iniciação tabágica. “Especialmente nos jovens, é indispensável a adoção conjunta de medidas educativas (integrar conteúdos obrigatórios nas escolas, promover ações educativas também fora da escola, junto das famílias, associações juvenis, empresas), regulamentações jurídicas, aumentos de preços, zonas livres de fumo e envolvimento das comunidades, bem como reativar e financiar adequadamente o Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (PNPCT), com objetivos definidos e avaliação contínua. O sucesso exige um esforço coordenado entre políticas públicas robustas, educação formal, sensibilização social e intervenção clínica. Com isso, Portugal poderia proteger a saúde pulmonar das futuras gerações”, concluem.
Outra prioridade apontada é a reforma urgente dos processos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), com o objetivo de reduzir burocracias, melhorar os fluxos clínicos e administrativos e garantir o acesso célere a terapêuticas inovadoras em Oncologia torácica.
As especialistas recomendam ainda o reforço da articulação entre os Cuidados de Saúde Primários e as especialidades de Pneumologia e Oncologia, através da definição de protocolos claros de triagem e encaminhamento precoce.
O alerta da SPP é claro: sem medidas estruturadas de prevenção, rastreio e reforma nos cuidados de saúde, o cancro do pulmão continuará a ser uma das principais causas de morte em Portugal. “O sucesso exige um esforço coordenado entre políticas públicas robustas, educação formal, sensibilização social e intervenção clínica”, concluem as especialistas, deixando um apelo à ação urgente das autoridades de saúde e da sociedade civil.


