O trabalho envolveu 501 moradores da envolvência de áreas verdes municipais de Guimarães e cruzou dados sobre proximidade, uso, perceção e impacto nos indicadores de saúde. Os inquiridos foram divididos entre quem vive a menos e a mais de 300 metros das zonas verdes. Realizaram-se entrevistas que foram conduzidas com base numa matriz de quotas por género, idade e localização, num total de 17 entrevistados.
O estudo concluiu que a proximidade física aos parques não se revelou estatisticamente significativa, nem em termos de sintomas psicológicos, nem na qualidade do sono. Por outro lado, a frequência de utilização dos parques foi identificada como fator determinante na melhoria dos níveis de ansiedade, stress e sono.
No domínio da atividade física, o estudo confirma que a proximidade é importante, pois quanto mais longe as pessoas viverem dos parques, menos tempo dedicam por sessão à prática de atividade moderada. A regularidade no uso dos espaços verdes influencia positivamente os níveis de atividade física, sobretudo na vertente da caminhada e do esforço moderado.
Pedro Morgado, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, considera que o estudo veio reforçar uma ideia-chave para a Saúde Mental urbana: “A natureza só tem efeito terapêutico quando se transforma em experiência vivida, regular e ativa”. O investigador defende que “viver ao lado de um parque pode ser irrelevante se não houver envolvimento da população no seu uso”


