Colaboração multidisciplinar: a chave para o sucesso no cancro urológico

27/08/25
Colaboração multidisciplinar: a chave para o sucesso no cancro urológico
Miguel Barbosa & Carlos Rabaça

Carlos Rabaça, especialista em Urologia e presidente do Congresso Português de Urologia Oncológica 2025, e Miguel Barbosa, especialista em Oncologia e membro da comissão organizadora do evento, destacam a importância deste evento na promoção da colaboração multidisciplinar entre oncologistas, urologistas e outras especialidades no tratamento do cancro urológico. Eventos como este são cruciais para “discutirmos os assuntos que dizem respeito a ambas as especialidades e, nesse sentido, podermos providenciar o melhor tratamento aos nossos doentes”. Assista aos depoimentos.

Segundo Carlos Rabaça, essa multidisciplinaridade permite que “pessoas de diferentes áreas falem sobre a mesma doença e todos nós aprendemos com isso. Porque nós necessariamente vemo-las muitas vezes de maneiras diferentes, mas se as virmos da mesma forma, conseguimos ser muito mais produtivos no tratamento da doença, no [seu] estudo e na evolução do tratamento da doença”, explicou o especialista.

O médico urologista menciona que, embora já existam sociedades multidisciplinares para outras patologias, faltava uma na urologia. Carlos Rabaça conclui que a iniciativa de criar uma sociedade dedicada ao cancro urológico vem preencher “uma lacuna que estava vazia há muito tempo e que nunca tinha sido preenchida. Felizmente, as diversas sociedades envolvidas aderiram de forma entusiástica à ideia e temos aqui representantes da Sociedade Portuguesa de Oncologia, da Sociedade Portuguesa de Radioterapia, da Sociedade Portuguesa de Imagiologia, Medicina Nuclear, Anestesia e portanto, houve uma aderência muito grande das diversas especialidades. Isso para nós é muito, muito agradável”.

Miguel Barbosa enfatiza a necessidade de mudar um paradigma na urologia oncológica para uma abordagem multidisciplinar. Para tal, o especialista explica que: “Os tumores que infelizmente tinham uma taxa de mortalidade muito rápida. Com as novas armas terapêuticas, nós temos aumentado o tempo de vida, portanto urologistas e oncologistas têm que falar. Nos outros tumores de crescimento mais indolente, nós também sabemos que ainda podemos melhorar os outcomes se introduzimos mais cedo outras armas terapêuticas. Mais uma vez, oncologistas, urologistas e outras especialidades têm que conversar”.

Quando questionado sobre o futuro da Sociedade Portuguesa de Urologia Oncológica, o oncologista referiu: “Eu acho que o futuro desta sociedade será brilhante. Primeiro, pela qualidade das pessoas envolvidas. Segundo, pela oportunidade, porque na realidade havia muita falta deste tipo de sociedade e de eventos”. Termina assumindo que: “No final do dia, quem mais beneficia desta interação acabam por ser os nossos doentes e, portanto, em boa hora, que este tipo de eventos sucede”.

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