Os cientistas conseguiram desvendar que, com o avançar da idade, as microglias se alteram e comportam de forma diferente perante lesões no cérebro, acreditando que as conclusões desta investigação podem abrir caminho a abordagens terapêuticas ajustadas à idade e ao tipo de lesão.
“Neste estudo, em modelo animal, usámos um laser de alta precisão para causar danos localizados no tecido cerebral e, com a mesma potência, simular lesões vasculares que bloqueiam temporariamente o fluxo sanguíneo. Isso permitiu comparar as respostas microgliais a diferentes tipos de lesão ao longo da vida, concluindo-se que a idade tem um impacto marcante na morfologia e dinâmica das microglias em resposta a diferentes tipos de lesões cerebrais”, explica Vanessa Coelho-Santos.
Embora as microglias sejam determinantes para o funcionamento do cérebro, ainda há diversos aspetos sobre o seu comportamento ao longo do tempo que permanecem desconhecidos. Foi neste contexto que Vanessa Coelho-Santos, em conjunto com uma equipa do Seattle Children’s Research Institute, estudou “a evolução morfológica e funcional destas células, desde o nascimento até à idade sénior”.
Este estudo, publicado na revista científica Cell ReportsCell Reports, revela que na idade adulta as microglias são bastante eficazes na resposta a lesões. Já no período neonatal, os primeiros 28 dias de vida, embora sejam mais dinâmicas, apresentam uma reação tardia e exagerada à lesão. No envelhecimento, as microglias perdem complexidade e respondem a lesões de forma mais lenta.
“Ao percebermos como é que as microglias se distribuem e atuam na defesa do cérebro em diferentes fases da vida, acreditamos que podemos, futuramente, criar terapêuticas mais personalizadas”, remata Vanessa Coelho-Santos.
Esta investigação foi desenvolvida com recurso a uma técnica de captação de imagem de ponta, chamada microscopia de dois fotões, que permite captar imagens de alta resolução do cérebro ao longo do tempo.


