Criado há quatro anos, o projeto “Um Sono de Mulher" viu agora o seu trabalho reconhecido com a atribuição do prémio Libório Parrino, que valoriza a criatividade artística das iniciativas desenvolvidas no âmbito do Dia Mundial do Sono. O prémio será entregue em Singapura, no decorrer do 18.º Congresso Mundial do Sono, no início do mês de setembro.
“Nas sociedades atuais e ao ritmo a que vivemos, é diário o malabarismo das mulheres para não deixar cair por terra nenhuma das suas responsabilidades: a profissão, a família, a casa e o cuidado com os outros. Numa gestão apertada onde não sobra tempo para nada, o sono é relegado para último plano”, explica Susana Sousa, médica pneumologista com competência em Medicina do Sono e líder do projeto “Um Sono de Mulher”, do qual fazem também parte Patrícia Farinha e Andreia Carriço, profissionais ligadas aos Cuidados respiratórios Domiciliários, e Cátia Jorge, jornalista de saúde.
“Não são raras as famílias onde a mulher é a primeira a acordar, de manhã, e a última a deitar-se, à noite”, acrescenta a especialista. O resultado da normalização desta má rotina do sono é um cansaço acumulado, um estado de exaustão permanente e, em última instância, uma fragilização do estado geral de saúde física, cognitivo e emocional. Para além disso, as doenças do sono apresentam-se de forma diferente na mulher em comparação com o homem e, muitas vezes, são mais difíceis de diagnosticar, razão pela qual muitas destas patologias permanecem subdiagnosticadas e, consequentemente, não tratadas.
Porque uma população bem informada estará sempre mais apta a proteger a sua saúde, o projeto "Um Sono de Mulher" tem vindo a recorrer à arte e à cultura como instrumentos de literacia em saúde.
“Mantendo o mesmo objetivo de chegar à população abordando a importância do sono na mulher, em 2025 decidimos usar outra manifestação de arte: a fotografia”.
“Quando as Mulheres Dormem” é o nome da coleção de 12 fotografias, da autoria de Sandra Ventura e Tiago Batista, que contrariam as imagens que, culturalmente, nos são incutidas desde a infância: a de mulheres bonitas e serenas, mergulhadas num sono profundo como belas adormecidas. Mas, sabemos que, longe da ficção, as mulheres dormem quando, onde e como podem. No autocarro, na biblioteca, num intervalo do trabalho. Este é o lado não romantizado do sono das mulheres. Este é o retrato em que cada mulher se revê.
A exposição foi inaugurada no piso nobre da Assembleia da República no dia 14 de março, Dia Mundial do Sono, onde esteve em exibição até 14 de abril. Desde então que está a circular por vários hospitais, centros culturais e galerias de arte por todo o país.
“Este projeto foi pensado e idealizado por quatro mulheres com o objetivo de aumentar a literacia em saúde do sono, a que se juntaram a criatividade das cinco escritoras e dos dois fotógrafos que tão bem deram corpo ao tema e apoiado por tantas pessoas e instituições que ajudaram na sua divulgação e promoção. Este prémio é o resultado do trabalho de todos”, sublinha Susana Sousa.


