O relatório refere que, para alguns tipos de cancro, a passagem de uma condição de doença fatal para uma doença crónica está no horizonte. Neste contexto, medidas como garantir a qualidade de vida do doente estão a tornar-se mais importantes e há um maior foco em permitir uma integração contínua no mundo do trabalho e na sociedade – não só pelo que representa para o doente, mas também para a economia. O documento refere os avanços terapêuticos e a disponibilidade de tratamento oncológico de alta qualidade como cruciais para melhorar as taxas de sobrevivência e prognósticos dos doentes a longo prazo.
O relatório revela ainda desigualdades significativas no acesso ao tratamento oncológico na Europa e dá recomendações no sentido de remover as barreiras e melhorar o acesso a cuidados de saúde oncológicos de qualidade. Com base numa análise aos tipos de cancro colo-retal, dos pulmões e da próstata, em França, na Alemanha, Polónia e Suécia, são identificadas áreas-chave para melhorar os resultados ao longo do caminho percorrido pelo doente oncológico, incluindo medidas de prevenção primária, diagnóstico e tratamento.
Embora o tratamento oncológico seja identificado como uma das áreas que gera maiores gastos financeiros nos sistemas de saúde, o estudo revelou que a introdução de novos medicamentos mais eficazes não aumenta os custos totais diretos relacionados com cancro, especialmente a longo prazo.
Aliás, medicamentos mais eficazes acabam por baixar os custos médicos ao diminuir a necessidade de outros recursos, tal como o internamento, e os custos indiretos diminuem ao aumentar as taxas de sobrevivência e ao reduzir as taxas de mortalidade. O estudo mostrou ainda que a despesa com medicamentos enquanto total das despesas de saúde não aumentou realmente em nenhum dos quatro países entre 2003 e 2011, levando a questionar a crença de que os medicamentos são a principal causa do aumento das despesas em saúde.
Adicionalmente, destaca também a inovação significativa a que se tem assistido no caso específico do tratamento oncológico nos últimos anos. Isto refere-se não só aos melhores resultados clínicos decorrentes de tratamentos inovadores, mas também à importância que têm, para os doentes e seus familiares, um diagnóstico mais preciso e atempado e uma qualidade de vida melhorada, resultando, por exemplo, em menos internamentos hospitalares.
Bengt Johnson, do departamento de Economia da Escola de Economia de Estocolmo, co-autor e comentador do relatório, referiu: "Face aos cortes de austeridade e ao aumento das despesas com saúde, uma abordagem mais sustentável ao tratamento oncológico é fundamental para obter melhores resultados com os doentes. Apesar do valor dos novos tratamentos, a nossa pesquisa mostra desigualdades significativas no acesso aos medicamentos oncológicos nos quatro países estudados. França apresenta a introdução mais rápida e extensa de novos medicamentos oncológicos, seguida pela Alemanha."
O cancro ainda é a segunda causa de morte na União Europeia e é responsável por cerca de 1,3 milhões das 5 milhões de mortes por ano. Adicionalmente, os 2,7 milhões de novos casos diagnosticados anualmente mostram que a carga da doença ainda constitui um peso significativo nas sociedades europeias. A Comissão Europeia já reconheceu há muito o peso do cancro, e o relatório "Acesso a tratamento oncológico de alta qualidade na Europa" é um passo proativo para ajudar a explorar os desafios atuais no acesso ao tratamento oncológico e sugere um quadro de recomendações para o desenvolvimento de políticas para estabelecer um padrão sustentável e de alta qualidade para o tratamento oncológico na Europa.
O relatório conclui que o maior desafio na política de saúde é garantir a igualdade de acesso ao melhor cuidado de saúde possível para todos os doentes oncológicos. Acrescenta que a eficácia na utilização de recursos é a chave para atingir este objetivo.
Leia aqui o Relatório completo.
No âmbito da Conferência Europeia sobre Doenças Crónicas 2014, foi apresentado, em Bruxelas, um relatório sobre o acesso a tratamento oncológico de alta qualidade na Europa. O documento foi conduzido pelo Swedish Institute of Health Economics (IHE) e patrocinado pela Janssen.

