As vencedoras foram Joana Paredes, do IPATIMUP, que vai desenvolver um projeto sobre o cancro de mama "triplo-negativo", e Diana Gaspar, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que irá desenvolver um projeto na área das metástases do cérebro.
Em comunicado, Joana Paredes, que lidera uma equipa de investigação do IPATIMUP, refere que "é por todas as mulheres a quem foi diagnosticado cancro da mama que trabalhamos todos os dias e temos noção que o nosso trabalho constitui uma esperança para a melhor compreensão desta doença, bem como para o seu tratamento".
Esta equipa de investigadores pretende desenvolver um trabalho sobre um tipo de cancro de mama - "triplo-negativo" – que é um tipo de tumor muito agressivo quando comparado com outros tipos de cancro da mama. Estes tumores tendem a crescer muito rapidamente, tendo também maior capacidade de gerar metástases e de voltar a aparecer, estando frequentemente associados a um mau prognóstico para as doentes. Um dos grandes motivos para esta associação, prende-se com o facto de não possuírem nenhum dos alvos moleculares já validados e utilizados no tratamento desta neoplasia, nomeadamente recetores hormonais (RE e RP) e o recetor HER2. Consequentemente, a quimioterapia é a única opção sistémica oferecida a estas doentes, demonstrando que encontrar biomarcadores específicos destes tumores de mau prognóstico poderá ter um importante impacto clínico no seu tratamento.
Com este projeto propõe-se validar a utilização de um fármaco, já aprovado pela FDA para o tratamento de outras neoplasias, no tratamento do cancro da mama "triplo-negativo". Esta hipótese baseia-se em resultados preliminares obtidos pelo grupo, que vêm demonstrar que este novo tratamento poderá ter sucesso em mais de metade destes cancros, uma vez que expressam um biomarcador que permitirá a seleção das doentes que potencialmente beneficiarão desta terapia. A validação desta alternativa terapêutica permitirá demonstrar a possibilidade de oferecer uma nova ferramenta a ser usada no tratamento de cancro da mama "triplo-negativo", o que deverá melhorar de forma significativa o prognóstico destas doentes.
Para Diana Gaspar, investigadora no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a atribuição desta bolsa de investigação é "uma forma de impulsionar o trabalho científico nesta área e uma importante ajuda no que respeita aos futuros avanços que necessitamos de fazer no desenvolvimento e concretização desta ideia inovadora".
O projeto de investigação da equipa liderada por Diana Gaspar é na área das metástases no cérebro, muito frequentes nas doentes com cancro da mama. Com este projeto pretendem perceber de que forma as células de um cancro inicialmente confinado à mama conseguem passar pela corrente sanguínea, misturar-se com as células saudáveis presentes no cérebro e aí proliferar dando origem a metástases cerebrais.
O aspeto inovador deste projeto consiste na utilização de microscopia de força atómica (AFM) para estudar a interação entre as células tumorais e as células saudáveis, desde que se libertam da mama, viajam pelo sangue e, por fim, se instalam no cérebro.
A presidência do Júri esteve a cargo de Maria Carmo-Fonseca, uma reconhecida investigadora na área da biomedicina e que exerce funções como diretora no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, exercendo também os cargos de diretora da Harvard Medical School-Portugal Program e visiting professor na Harvard Medical School.
Em comunicado, Maria Carmo-Fonseca referiu que "a Associação Laço volta a dizer à Sociedade Portuguesa que acredita no valor da investigação científica em benefício da prevenção e tratamento do cancro da mama. Este ano a Laço duplicou o seu investimento em investigação atribuindo duas Bolsas, cada uma no valor de 25 mil euros. De um total de cerca de 30 candidaturas, o júri nacional selecionou dois projetos pela sua originalidade e potencial impacto no desenvolvimento de tratamentos inovadores para o cancro da mama metastático, atualmente incurável. Estes projetos são liderados por mulheres cientistas que trabalham uma no IPATIMUP, no Porto, e a outra no IMM, em Lisboa".
Os restantes membros do júri exercem as suas funções nas mais importantes instituições de pesquisa biomédica em Portugal: Manuel António Rodrigues Teixeira atualmente presidente da Sociedade Portuguesa de Genética Humana e diretor do Serviço de Genética e do Centro de Investigação do Instituto Português de Oncologia do Porto; Mónica Bettencourt Dias, group leader do Instituto de Gulbenkian de Ciência; Raquel Seruca, vice-presidente do IPATIMUP e coordenadora científica do Grupo da Genética do Cancro; Sérgio Dias, group leader do Instituto de Medicina Molecular.
Citada pelo mesmo comunicado, Lynne Archibald, presidente da Associação Laço, disse que "está orgulhosa pelo apoio prestado à investigação do cancro da mama em Portugal e acredita no sucesso dos projetos vencedores. Este ano conseguimos atribuir duas bolsas e temos de agradecer a todos os que nos apoiaram ao longo do ano, assim como a todos os que se candidataram com projetos com forte potencial na área da investigação".
Depois de uma primeira bolsa de investigação que foi atribuída ao investigador Sérgio Dias, a Associação Laço e um conceituado júri atribuíram este ano duas bolsas no valor de 25 mil euros cada.

