Estudo avalia impacto dos sistemas de saúde na economia

11/07/14

Foto grupo estudo d603dO estudo Cortar ou investir na Saúde? Novo contrato económico e social para o "pós troika" foi apresentado no Infarmed com a presença de mais de uma centena de responsáveis na área da saúde, academia, ARS e indústria farmacêutica, para além do Infarmed e da ACSS. Teve como objetivo avaliar o estado da arte sobre o impacto dos sistemas de saúde na economia de um país.

 

 

 

 

A investigação na área da Saúde Pública levada a cabo pela equipa constituída por Constantino Sakellarides, Helda Azevedo e José Aranda da Silva, resulta do protocolo celebrado entre o Inodes e a Jaba Recordati. Na qualidade de parceira na área de saúde a Jaba Recordati definiu como prioridade no âmbito da sua política de responsabilidade social, o apoio à investigação científica em Saúde Pública.

 

Em comunicado, Constantino Sakellarides refere que "o ponto de partida deste estudo prendeu-se com a difícil situação que a Europa enfrenta, durante o qual são tomadas decisões políticas sem nenhuma base de conhecimento que as influenciem".

 

No mesmo comunicado, Nelson Pires, diretor-geral da Jaba Recordati considera "prioritário promover a cooperação interinstitucional que terá impacto futuro nas oportunidades de crescimento económico e do desenvolvimento científico para Portugal".

 

Conclusões do estudo:

1. A saúde e os serviços de saúde têm um elevado valor económico. Apesar de esta relação ser há muito conhecida e a evidência sobre ela ser cada vez mais extensa e sólida, o valor económico da saúde tem ainda reduzida tradução nas políticas públicas.

 

2. Com a actual crise económica e financeira tem-se registado um desinvestimento na saúde. A lógica dos ajustamentos financeiros em vigor – "puxar intensa e abruptamente e relaxar só quando é inevitável" – impede a harmonização das políticas públicas e ignora os custos sociais dos ajustamentos.

 

3. A perda de capital humano por parte dos países "em ajustamento" – desempego e emigração nas profissões da saúde – que se tem registado nos últimos anos, tem sido ignorada no debate e configuração das políticas públicas nacionais e europeias.

 

4. É necessário iniciar um novo ciclo de investimento na saúde.

 

5. A vontade e a capacidade da comunidade humana de investir na saúde está fortemente associada a qualidade da democracia, e esta, à esperança num futuro melhor.

 

6. O país precisa de um novo contrato económico e social que inclua o investimento em saúde.

 

7. Para que esse contrato possa ter lugar será indispensável preencher um conjunto de condições, a nível nacional e europeu. Três dessas condições parecem particularmente relevantes.

 

8. Primeira: Ampla aceitação social de uma base factual sólida sobre a situação do país na atualidade e dos fatores que a tem determinado, antecipando os efeitos sobre a saúde dos vários cenários económicos e financeiros relativos a 2015-2019.

 

9. Segundo: Consenso nacional alargado sobre as condições e os passos necessários para um grau aceitável de harmonização das políticas públicas – financeiras, económicas e de bem-estar.

 

10. Terceiro: Impõe-se nova geração de estratégias de saúde. Estratégias que se articulem com outras políticas públicas e que tenham uma forte expressão e mobilização local à volta da ideia de que a aspiração ao bem-estar e a prosperidade económica são duas faces da mesma moeda.

 

 

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