As visitas ao domicílio, que decorrem até ao próximo sábado, dia 20, incluem rastreios cardiovasculares, identificação de problemas de saúde e mobilidade, bem como a avaliação das condições de habitabilidade e o grau de dependência.
O projeto "Aldeia Feliz" conta com a participação de 25 estudantes voluntários de Medicina que, ao longo de quatro dias, farão a avaliação de múltiplos fatores de risco e determinantes da qualidade de vida dos idosos isolados das aldeias de Soajo, Gavieira, Cabreiro, Sistelo e Gondoriz, situadas na zona do Parque Nacional Peneda-Gerês.
No âmbito desta iniciativa serão também identificados e analisados os principais problemas e queixas dos idosos, as patologias já diagnosticadas e as condições de habitabilidade, através do preenchimento de um formulário que visa a caracterização completa dos pacientes, podendo ser usada para posterior referenciação.
O projeto pretende ainda explicar aos idosos como proceder em situações de emergência, dar-lhes dicas para não confundir a medicação e informá-los devidamente quanto ao tipo de apoio social existente naquela região.
No último dia, prevê-se a realização de um convívio com os idosos interessados e a formação de vários grupos de trabalho sobre as temáticas do envelhecimento ativo, dinamizados pelos estudantes de Medicina.
Isolamento pode levar a decadência
A desertificação e o envelhecimento de muitas aldeias portuguesas contribui para a suscetibilidade da sua população a múltiplos fatores de fragilidade social, pondo em causa a satisfação das suas necessidades mais básicas como a acessibilidade a cuidados de saúde, a higiene pessoal, o contacto com a civilização, a preparação das refeições diárias, entre outros.
"Muitos idosos vivem sozinhos sem um contato frequente com familiares, vivendo a muitos quilómetros de centros de saúde, frequentemente sem cobertura telefónica e onde as vias de acessibilidade são mínimas. Adicionalmente, a presença de várias comorbilidades é frequente, o que impede o normal desempenho das suas atividades diárias, contribuindo para um estado progressivo de decadência. É neste quadro social que se enquadra o alvo de intervenção deste projeto", explica Victória de Matos, presidente da comissão organizadora, citada em comunicado.
O NEMUM tem vindo a atuar de acordo com três grandes pilares: a representação dos seus alunos, a intervenção na sociedade e a promoção de uma formação multidisciplinar. O núcleo tem procurado, desde 2002, ter um papel ativo na sociedade e contribuir para uma melhor formação dos seus estudantes.


