Em comunicado, Susana Sampaio, vice-presidente da SPT, explica que "é sabido que um órgão transplantado não é eterno e acaba por vir a ser perdido mas, pretende-se demonstrar que podem conseguir-se vidas prolongadas e com grande qualidade após um transplante. Os resultados portugueses são excelentes e estes testemunhos que reuniremos nesta celebração são uma prova disso. Pretende-se também aproveitar esta data, tão importante para a transplantação portuguesa e para os doentes renais crónicos, para informar a população geral sobre como é possível ser transplantado durante muitos anos e assim promover a transplantação, bem como a doação em vida".
O tempo máximo que um órgão transplantado consegue sobreviver e funcionar é difícil de definir. "A vida média do órgão transplantado depende das suas condições, do dador em que foi colhido, das circunstâncias do transplante mas também muito do comportamento do doente transplantado. Também é importante a adesão a estilos de vida saudáveis para evitar o risco de obesidade, dislipidemia e hipertensão arterial, que podem contribuir para a perda de enxerto", afirma Susana Sampaio, citada no comunicado.
O Dia do Transplante 2014 comemora o 45.º aniversário do primeiro transplante em Portugal e, nesta data, Fernando Macário, presidente da SPT, relembra que "há vários anos que a SPT se debate pela necessidade de descentralizar o seguimento dos doentes transplantados mas isso só é possível se existir empenhamento de todos, profissionais e instituições de saúde, autoridades competentes e até os próprios doentes. Os exemplos já existentes provam que é possível e benéfico".
Fernando Macário refere ainda que "outros aspetos precisam claramente de maior promoção: a promoção do transplante renal de dador vivo em que a SPT foi pioneira com a campanha "Doar um Rim Faz Bem ao Coração" precisa da continuação da sua efetiva promoção com medidas legislativas que facilitem e descompliquem o processo de doação. O transplante renal cruzado necessita de divulgação junto dos profissionais de saúde e muito particularmente junto dos nefrologistas e enfermeiros da área da diálise e transplantação, as unidades de transplantação necessitam de ser repensadas, é preciso atuar na área da formação e certificação em transplantação. A coordenação de transplantação tem que ser mais valorizada, os apoios aos doentes transplantados têm que ser eficazes não os prejudicando e onerando pelo seguimento que necessitam".
A Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) vai promover um evento de comemoração do Dia do Transplante. Decorre este domingo, dia 20, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett do Palácio de Cristal, no Porto, a partir das 11h00, com o objetivo de homenagear as pessoas transplantadas há mais de 25 anos e lembrar que "o transplante pode ser uma solução de longo prazo".

