Equipa do IMM faz descoberta revolucionária sobre células estaminais da medula
29/07/14
Uma equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa descobriu um novo mecanismo que controla a sobrevivência, expansão e função das células estaminais da medula óssea, diz comunicado do Instituto.As células estaminais hematopoiéticas (HSC) dão origem a todas as células do sangue. A transplantação destas células tem sido utilizada extensivamente no tratamento de várias doenças, sendo as fontes principais a medula óssea, o sangue do cordão umbilical e as células progenitoras no sangue periférico. Contudo, os protocolos de transplantação ainda enfrentam sérios obstáculos, nomeadamente a baixa eficiência dos enxertos devido ao número limitado de HSC disponíveis. Desta forma, a identificação de novos alvos biológicos que melhorem a sobrevivência das células estaminais é um aspeto crítico para melhorar a eficiência da transplantação de medula e qualidade de vida dos doentes.
No estudo agora publicado a equipa de Henrique Veiga-Fernandes descobriu uma nova molécula crucial à sobrevivência, expansão e transplantação das células estaminais da medula, abrindo assim novos horizontes para futuros protocolos de transplante.
Em comunicado, Henrique Veiga-Fernandes diz que "as atuais estratégias de expansão de células da medula ou cordão umbilical são um enorme desafio, pois a expansão destas células implica uma perda significativa da sua função e potencial terapêutico". E sublinha: "O que agora demonstramos é a existência de um 'interruptor' nas células estaminais que quando ativado controla seletivamente a sobrevivência das células, mantendo intacto a sua funcionalidade no transplante de medula."
A nível social esta descoberta acarreta um enorme benefício dado que a transplantação poderá ser aplicável a um maior número de doentes. Além disso, são esperados benefícios a nível económico já que estes avanços poderão permitir uma redução dos custos hospitalares numa altura em que dados do relatório da Agency for Health Research and Quality sublinham que a transplantação gerou o mais rápido aumento da despesa hospitalar total na última década.
A transplantação de células estaminais hematopoiéticas tem sido extensivamente utilizada no tratamento de leucemias (aguda e crónica), linfomas e doenças hereditárias do sistema imunitário. Os resultados do estudo agora publicado resultam de experiências laboratoriais, com recurso a modelos animais, e representam o início de um percurso de testes pré-clínicos até à possível aplicação em seres humanos.
Na fotografia, da esquerda para a direita, Diogo da Fonseca Pereira, Sílvia Madeira e Henrique Veiga-Fernandes, equipa do IMM responsável pelo paper agora publicado.


