Estudo avalia efeito de corticosteroides no desenvolvimento dos bebés prematuros

01/08/14
Alexandra Miranda d2508Alexandra Miranda, da Universidade do Minho, está a avaliar o desenvolvimento cerebral dos fetos que foram sujeitos durante a gravidez a corticosteroides. Este grupo de anti-inflamatórios é eficaz, mas tem gerado controvérsia sobre os efeitos no desenvolvimento da criança.


A investigação, realizada por Alexandra Miranda (na foto), foi recentemente premiada com a bolsa de doutoramento José de Mello Saúde, de 20 mil euros. A aluna da Escola de Ciências da Saúde da UMinho vai assim dedicar a tese doutoral em Medicina ao tema "Efeito da Corticoterapia Antenatal no Neurodesenvolvimento Fetal".

O objetivo é avaliar, através de neurossonografia fetal com ecografia 3D, o desenvolvimento das estruturas cerebrais mais vulneráveis a níveis elevados de glucocorticoides e depois compará-lo com fetos sem exposição a estes fármacos.

"Pretendemos encontrar fatores de prognóstico para os fetos que irão desenvolver distúrbios cognitivos, afetivos e comportamentais na fase pós-natal e ainda clarificar qual é o perfil de segurança pré-natal", explica em comunicado Alexandra Miranda, que realiza o trabalho no ICVS - Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da UMinho e no Hospital de Braga.

"Os bebés prematuros frequentemente apresentam dificuldade respiratória porque os pulmões ainda não se desenvolveram completamente, pelo que os corticoides ajudam a prevenir esta complicação", diz. O nascimento prematuro (até às 37 semanas de gravidez) é a maior causa de morte neonatal. Administrar a corticoterapia a grávidas em risco de parto pré-termo trouxe grandes melhorias ao reduzir dificuldades respiratórias, hemorragias cerebrais e problemas gastrointestinais.

"Há, contudo, alguma polémica na comunidade científica sobre os efeitos tardios dos corticoides no sistema nervoso central, desde alterações no comportamento a dificuldades na aprendizagem, sem ter ainda havido inequivocamente um substrato anatómico cerebral que justifique estas afirmações", realça a cientista, que espera ter conclusões preliminares a médio prazo.

Alexandra Miranda tem 28 anos, é natural do Porto e fez o mestrado integrado em Medicina na UMinho, onde é atualmente doutoranda em Medicina, investigadora do ICVS e professora convidada da Escola de Ciências da Saúde. Está também a realizar o internato médico (3.º ano) na especialidade de Ginecologia e Obstetrícia no Hospital de Braga.

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