Serviços de saúde portugueses necessitam de 25 mil enfermeiros

04/08/14
icn-logo 46a71Os serviços de saúde em Portugal necessitam de 25 mil enfermeiros. Não colmatar essa carência significa ter uma população mais vulnerável à doença e à morte, alerta a Prof. Judith Shamian, presidente do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN).

Durante um encontro com o Enf.º Germano Couto, Bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), a presidente do ICN defendeu a importância de recursos humanos adequados para fazer face não só à vertente curativa, mas também à vertente preventiva e de promoção da Saúde – que têm especial impacto sobre a saúde dos indivíduos, famílias e comunidades.

No mesmo encontro, realizado a semana passada no Porto, o Bastonário da OE explicou que a norma para dotações seguras recentemente desenvolvida pela Ordem apresenta diversas fórmulas de cálculo e tem forma legal, pelo que deve ser aplicada aos mais diversos contextos de saúde dos setores público, privado e social, quer seja no continente ou nas ilhas.

A Prof. Judith Shamian revelou-se bastante interessada no modelo desenvolvido pela Ordem dos Enfermeiros e elogiou os esforços que tem empreendido com vista a estabelecer um planeamento de recursos humanos para a Enfermagem em Portugal.

A norma estabelece, por exemplo, que os blocos operatórios só podem funcionar com três enfermeiros por sala; que os enfermeiros de família devem ter 1550 utentes ou 350 famílias; e que, em cada Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) deve existir, pelo menos, um enfermeiro por cada 5 mil habitantes, preferencialmente especialistas.

A presença de enfermeiros em lares tem merecido especial atenção por parte da OE, devido a uma certa desregulação do setor e a existência de um número considerável de lares ilegais. Assim sendo, o documento define que "para residentes independentes, com dependência ligeira ou moderada, cinco horas por cada 10 residentes", afirma o Enf.º Germano Couto, citado em comunicado. Para os restantes, devem ser afetas quatro horas de cuidados a cada pessoa.

De acordo com Bastonário, a norma já foi dada a conhecer ao Ministério da Saúde e visa dar uma base legal para que "os enfermeiros gestores possam exigir junto da direção das unidades de saúde mais recursos para os seus serviços".

Dos contactos que manteve com os profissionais portugueses, a Prof. Judith Shamian refere que "os enfermeiros não têm horas suficientes para fornecer os cuidados necessários".

Com base na investigação científica, "isso vai ter um impacto negativo sobre a saúde da população em Portugal. Recorde-se que a evidência internacional demonstra uma relação direta entre o número adequado de enfermeiros, melhores cuidados e menores níveis de doença e mortalidade".

Essa ideia é igualmente salientada pelo Enf.º Germano Couto. "Ainda recentemente o conceituado Karolinska Institut (2014), conclui - de acordo com um estudo internacional que envolveu nove países europeus, 500 mil doentes cirúrgicos e mais de 26 mil enfermeiros - que o aumento de um doente na carga de trabalho dos enfermeiros, além do considerado adequado, aumenta em 7% a probabilidade de um doente hospitalizado morrer no prazo de 30 dias a contar da admissão. E os profissionais de saúde existem para salvar vidas e cuidar de pessoas, não para as ver morrer".

A Prof. Judith Shamian acredita que Ordem dos Enfermeiros "tem feito um trabalho pioneiro a defender a qualidade dos cuidados e a segurança dos cidadãos – o que deve ser devidamente valorizado pelos decisores políticos".
A representante máxima da Enfermagem a nível mundial incentivou a Ordem "a continuar a trabalhar com outros grupos de enfermeiros, governos e profissionais de saúde, a fim de se certificar que as pessoas em Portugal recebem os cuidados de Enfermagem que merecem".

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