Estudo: 8 em cada 10 portugueses considera que o investimento em oncologia deve ser prioritário

04/12/14
Estudo: 8 em cada 10 portugueses considera que o investimento em oncologia deve ser prioritárioDe acordo com um estudo desenvolvido pela GFK, apresentado no âmbito da 2.ª edição do Think Tank Inovar Saúde, 8 em cada 10 portugueses considera que o investimento em oncologia deve ser prioritário dentro da área da saúde. O Think Tank Inovar Saúde é uma iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP/NOVA) e da Roche.


Para a maior parte dos portugueses é mais premente investir no tratamento de doenças oncológicas do que nas doenças cardiovasculares ou na diabetes, mostra este estudo sobre perceções em oncologia. Por outro lado, 49% dos portugueses acredita que o cancro é a doença que atualmente recebe mais investimento público.

De facto, no que toca ao investimento público, os inquiridos consideram que a saúde é a segunda área em que mais se investe (a seguir à administração/função pública). Mesmo assim, é a área face à qual os portugueses mais defendem que o investimento atual é insuficiente (8% dos inquiridos). E dentro da saúde, a oncologia é vista como sendo a área que recebe maior investimento público. No entanto, mais de metade dos portugueses considera que o Estado investe menos agora na área do cancro do que investia há 3 anos atrás.

Esta opinião sobre o investimento está diretamente relacionada com o grau de preocupação que os portugueses têm relativamente às doenças oncológicas: os dados apurados através de 1192 inquéritos presenciais mostram que o cancro foi referido espontaneamente como a doença mais preocupante por 63% dos inquiridos. Quando sugerido, 75 por cento dos inquiridos avaliam a doença no ponto máximo da escala de preocupação.

O cancro é, também, a doença que os portugueses acreditam ter maior prevalência e taxa de mortalidade. De resto, a prevalência e a mortalidade, em conjunto com a dificuldade/inexistência de cura, são as razões mais apontadas para justificar o elevado receio associado a esta doença. O cancro da mama é o que mais preocupa as mulheres e o do pulmão os homens.

Apesar desta visão, não é claro que o tratamento do cancro seja de melhor qualidade no privado do que no público: mais de 1/3 dos respondentes admitem não estar em condições de fazer a comparação; os restantes dividem-se de forma mais ou menos equitativa entre os que consideram que é melhor, os que consideram que é pior, e os que consideram ser de igual qualidade.

Em comunicado, António Gomes, da GFK, explica que "para os portugueses, o cancro é a doença mais preocupante. As razões para esta preocupação prendem-se com a elevada prevalência das doenças oncológicas, bem como a ausência de cura e consequente elevada mortalidade. Esta perceção sobre o cancro justifica que os inquiridos considerem que a área oncológica é a mais prioritária em termos de investimento público (insistindo no acesso equitativo ao tratamento e diagnóstico, e no desenvolvimento de novas terapêuticas), ao mesmo tempo que consideram que o investimento que é feito na área da saúde é insuficiente (e menor agora do que há 3 anos). Ainda assim, a maioria da população considera que está mal ou moderadamente informada sobre o cancro, pedindo mais informação sobre prevenção e diagnóstico/rastreio. De um modo geral, os portugueses consideram-se empenhados no combate ao cancro, ainda que considerem que este empenho faz pouco eco junto do poder político (percecionado como menos empenhado na luta contra o cancro do que a população em geral)."

No mesmo comunicado, Luís Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, considera que "este estudo é muito pertinente porque nos informa da real preocupação da sociedade Portuguesa e pode servir de pauta para o desenvolvimento de ações estratégicas. Parece-me interessante que os inquiridos considerem que esta é frequentemente uma doença que não tem cura. Claramente, deve haver um maior esforço pelos profissionais de saúde e pelos meios de comunicação para esclarecer quando é que o cancro pode ser curável, como o é de facto na maioria das vezes. A perceção sobre esta doença tem de ser melhor. Também considero pertinente o facto de quererem ser mais esclarecidos sobre programas de prevenção. Trata-se de uma atitude muito saudável com grande abertura para programas de informação. Realmente, cerca de 25% dos cancros são evitáveis. Finalmente, saliento que os inquiridos elegem o acesso rápido ao diagnóstico e tratamento, a par com o desenvolvimento da investigação para acesso a novos medicamentos, como as duas principais prioridades de um investimento público que entendem dever ser maior do que o existente. Julgo que a sociedade está disposta a fazer um maior investimento por um bem que considera muito elevado".


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