Prémio de Instalação da EMBO atribuído a cientistas portugueses do IGC e do IMM

10/12/14
Prémio de Instalação da EMBO atribuído a cientistas portugueses do IGC e do IMM Ana Domingos, investigadora principal do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), e Nuno Morais, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, são os cientistas contemplados este ano com o Prémio de Instalação da EMBO em Portugal, concedido pela European Molecular Biology Organisation (EMBO), em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal).


Os projetos premiados focam áreas da obesidade e da formação de metástases. Cada cientista recebe este prémio, no valor de 50 mil euros anuais, por um período máximo de cinco anos, e consequente entrada na prestigiada rede de jovens investigadores Europeus da EMBO.

Com este financiamento, Ana Domingos pretende continuar os seus estudos na identificação dos mecanismos moleculares de recompensa que estão associados com a ingestão de açúcar. A cientista explica: "Porque gostamos de açúcar e porque gostamos ainda mais de açúcar quando estamos a fazer uma dieta são duas questões importantes e que estão relacionadas". Os adoçantes artificiais, ao contrário do açúcar, não têm qualquer valor nutricional e sabe-se que tanto os animais como o homem sentem-se recompensados por ingerir alimentos com açúcar.

Dados recentes do grupo de investigação liderado por Ana Domingos no IGC, revelaram que a região do cérebro chamada hipotálamo lateral, que ajuda a controlar o apetite, está também associada com o sistema de recompensa do consumo de açúcar. É a atividade de células nesta região, designadas por neurónios MCH que o grupo de investigação pretende estudar de forma a dissecar os circuitos neuronais que reconhecem o prazer do açúcar. Ana Domingos salienta que: "Numa situação de restrição alimentar, se gostamos ainda mais de açúcar, então existe uma maior probabilidade de o consumirmos, o que pode comprometer a dieta e, em última análise, ter grandes implicações na epidemia da obesidade a que assistimos", acrescentando que "na perspetiva biológica do organismo faz todo o sentido encontrarmos os alimentos que nos satisfaçam em vez de olharmos para o seu valor calórico".

Apenas um ano após ter estabelecido o seu laboratório no IGC, a investigadora Ana Domingos, explica a importância do Prémio de Instalação da EMBO: "Esta bolsa, para além de proporcionar um financiamento estável ao longo de 3 a 5 anos para o meu laboratório, impõe pouco peso administrativo, o que nos permite focar na ciência, dando a liberdade e os meios para realizar as experiências necessárias ao progresso do projeto. Esta é também uma ótima oportunidade para contactar com outros jovens investigadores que trabalham na Europa e com quem podemos estabelecer colaborações no futuro".

Para Nuno Morais, investigador do IMM, "é uma honra receber um prémio deste prestígio e muito motivador e gratificante ver o potencial do projeto reconhecido pelos especialistas europeus da área". Com este projeto, Nuno Morais espera contribuir não só para uma melhor compreensão das doenças oncológicas mas também para o desenvolvimento de métodos de diagnóstico mais precisos e de novas terapias moleculares personalizadas. Nuno Morais, pretende estudar como alterações de splicing alternativo – processo pelo qual cada gene pode originar várias mensagens e, portanto, várias proteínas distintas – estão associadas ao cancro e, particularmente, à formação de metástases. As modernas tecnologias de sequenciação de DNA permitem ler aquelas mensagens genéticas para virtualmente todos os genes em qualquer amostra de tecido humano. "Propomos usar abordagens de biologia computacional para, analisando essa informação, perceber como é que a expressão dos genes está desregulada em cancro e identificar novos marcadores moleculares que permitam, por exemplo, prever qual o potencial de um tumor em gerar metástases e o órgão em que é mais provável que elas apareçam", explica Nuno Morais.

Segundo o investigador do IMM, "a verba associada ao prémio assegura independência e estabilidade na obtenção dos recursos necessários para o estabelecimento do meu grupo de investigação em Portugal, numa época em que o financiamento para a ciência é incerto". Nuno Morais, acrescenta que "o prestígio e a visibilidade associados ao prémio ajudar-me-ão a recrutar jovens investigadores de excelência para a minha equipa. Afinal, a qualidade da nossa investigação vai depender muito da qualidade dos cientistas envolvidos. Este prémio garante também a minha entrada para o Programa de Jovens Investigadores da EMBO, que proporciona não só uma rede de contactos de excelência mas também acesso a mais oportunidades de financiamento, cursos e outras iniciativas."

Este ano foram atribuídas oito EMBO Installation Grants em quatro países europeus: Portugal, Polónia, República Checa e Turquia.


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