O trabalho, publicado na revista "Molecular Psychiatry", uma publicação do grupo "Nature", aponta novas e promissoras estratégias no combate à doença. A descoberta foi feita por uma equipa internacional de investigadores do Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale (INSERM, Lille, França) com a colaboração do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e da Universidade de Bonn (Alemanha).
Este estudo conseguiu reverter os danos cerebrais causados pela doença de Alzheimer. O grupo usou um novo fármaco da família da cafeína, o MSX-3, que conseguiu atacar uma das principais causas do declínio cognitivo característico da doença: a acumulação da proteína Tau hiper fosforilada (ou seja, com grupos de fosfato ligados à proteína original), responsável pela morte das células nervosas cerebrais.
Esta foi a primeira vez que se demonstrou que um fármaco da família da cafeína, específico para este recetor é benéfico em modelos de Alzheimer, já em estado de progressão da doença.
Os benefícios da cafeína
Os efeitos benéficos da cafeína em pacientes com Alzheimer já são conhecidos. Estudos sobre o seu consumo em populações de doentes mostraram que a ingestão habitual e moderada da substância reduz o declínio cognitivo e diminui o risco da doença, principalmente entre as mulheres.
Em vez de usar cafeína, os autores testaram pela primeira vez a eficácia de um novo fármaco, mais seletivo e potente: o MSX-3. Este atua no cérebro de forma semelhante, mas sem causar os efeitos colaterais da cafeína.
Os investigadores viram que a cafeína tem como um dos principais alvos no cérebro um recetor específico de adenosina, o A2A. Retirando o gene desse recetor, verificaram-se efeitos benéficos similares tanto na memória como na neuroinflamação, uma vez que foi restabelecida a função de transmissão nervosa, que é afetada pela proteína Tau associada ao Alzheimer.
"Estes resultados são muito entusiasmantes. Já tínhamos indicações de que esse tipo de fármaco é benéfico noutras situações de declínio cognitivo, como em casos de stress crónico, por exemplo e suspeitávamos do seu potencial na doença de Alzheimer. Agora conseguimos finalmente demonstrar estes efeitos, o que só foi possível através desta conjugação de esforços de várias equipas", esclarece Luísa Lopes, neurocientista do IMM e coautora do trabalho.
Em 2010, a Europa tinha uma incidência de 10 milhões de pessoas com doença de Alzheimer e numa previsão demográfica das Nações Unidas, este número deverá atingir os 14 milhões em 2030.
Fármaco da família da cafeína reverte danos da doença de Alzheimer
12/12/14
Uma equipa de cientistas, com a colaboração do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa demonstra que um fármaco da família da cafeína (MSX-3) é eficaz na proteção do cérebro num modelo de doença de Alzheimer, em modelos animais.

