18 mil portugueses podem necessitar de cuidados paliativos

03/02/15
18 mil portugueses podem necessitar de cuidados paliativosA 4 de fevereiro assinala-se o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, uma doença que poderá levar 18 mil portugueses a necessitar de cuidados paliativos. Introduzidos numa fase mais precoce da doença, a par dos tratamentos dirigidos à cura, os cuidados paliativos melhoram a qualidade de vida dos doentes e aumentam a longevidade humana.


Estas são as conclusões do Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEMPAL) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) que, de acordo com a Dr.ª Elga Freire, coordenadora do NEMPAL, há cada vez mais tratamentos e possibilidades de cura para o cancro.

"Com a maior longevidade da população, as doenças oncológicas também têm aumentado. Segundo as recomendações da OMS, calcula-se que cerca de 80% dos doentes com cancro que virão a falecer podem necessitar de cuidados paliativos diferenciados. Assim, de acordo com a mortalidade em Portugal, cerca de 18 mil doentes com cancro podem necessitar, anualmente, destes cuidados. A necessidade de cuidados paliativos na doença oncológica não diminui, pelo contrário, aumenta se quisermos melhorar a qualidade da assistência prestada a estes doentes", explica a especialista em Medicina Interna.

A coordenadora daquele núcleo de estudos reconhece a falta destas estruturas em Portugal, seja no internamento ou no domicílio. A Dr.ª Elga Freire acredita que "a resposta deve passar pela mudança dos cuidados prestados aos doentes crónicos e terminais, o que implica, sobretudo, a formação e treino em cuidados paliativos de todos os profissionais de saúde que tratam estes doentes e a criação de estruturas em número suficiente para poder responder às reais necessidades da população portuguesa".

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) calcula que cerca de 90% dos portugueses que precisam de cuidados paliativos não os recebe. "No que respeita às diferentes tipologias de unidades/equipas, calcula-se que serão necessárias 133 equipas de cuidados paliativos domiciliários, 102 equipas intra-hospitalares de suporte em cuidados paliativos (uma em cada instituição hospitalar), 28 unidades de internamento em hospitais de agudos e 46 unidades vocacionadas para doentes crónicos. Os recursos atuais ainda estão longe destes números", conclui a especialista.

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