Alergia nas escolas em debate na 2.ª Reunião Temática da SPAP

04/02/15
Alergia nas escolas em debate na 2.ª Reunião Temática da SPAPA 2.ª Reunião Temática da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP) decorre a 7 de fevereiro, no Hospital Pediátrico Carmona da Mota – CHUC, em Coimbra. Centrado no tema "Alergia e Escola", o encontro servirá para os especialistas abordarem as alergias alimentares e respiratórias nas escolas, uma situação que deve envolver a reflexão de professores, funcionários das escolas e entidades do ministério.



O objetivo do evento é proporcionar a formação pós-graduada dos sócios da SPAP e médicos interessados na temática. A reunião procura também alertar para o problema das alergias nas escolas e abordar a relação dos alunos com a alergia e o envolvimento dos professores, funcionários, família e médicos

Segundo o Dr. Libério Ribeiro, presidente da SPAP, "há uma forte ocorrência de casos de asma em aulas de Educação Física. Esta situação leva, muitas vezes, a que alunos com asma não pratiquem certos exercícios ou, no limite, não pratiquem atividade física. "Os mitos e problemas relacionados com alergias respiratórias podem ser desmascaradas", refere o especialista, acrescentando que "se a asma for devidamente controlada, se os professores tiverem formação e se existir um plano de atuação, não terá esta implicação na vida das crianças".

Esta iniciativa pretende também abordar a legislação existente por parte da Direcção-Geral da Saúde e do Ministério da Educação relativamente ao tema. O presidente desta sociedade científica explica que há uma grande quantidade de legislação que acaba por ser redundante e, assim, legislação vai ser discutida e, caso seja necessário, haverá propostas de alteração.

A alergia nas escolas é uma realidade cada vez mais recorrente e que tem registado um aumento nos últimos anos. Cerca de uma em cada quatro crianças sofre de uma patologia alérgica e, sendo a escola o espaço onde a criança passa uma parte importante do seu dia, é necessário alertar para os cuidados a ter nestas situações. É, portanto, indispensável promover a educação para a saúde nas escolas em várias dimensões:

  • Os professores devem ter formação em caso de reações alérgicas, pois são os primeiros em contacto com as crianças, com principal destaque para os professores de Educação Física;
  • Todas as crianças com alergia devem estar identificadas pelos professores e funcionários;
  • Deve haver um kit standard em caso de reações alérgicas e um responsável nas escolas que saiba atuar nesses casos (o ideal seria haver um enfermeiro escolar);
  • E ainda, saber qual a atitude a tomar em caso de alergia. Esta deve ser acompanhada de um consentimento escrito dos pais que aprovam o plano de atuação em caso de agudização.

Para que esta educação na saúde seja possível, o Dr. Libério Ribeiro acrescenta que a abordagem passa também por várias entidades:

  • É preciso alertar as entidades políticas responsáveis de que este é um problema importante e reforçar a legislação de medicamentos nas escolas;
  • Por outro lado, a família tem de informar a escola sobre a patologia alérgica, com um plano de atuação escrito e aprovado, bem como os medicamentos a recorrer em caso de necessidade;
  • Os médicos pediatras ou médicos de família que acompanham estas crianças devem fornecer o plano escrito e promover a educação dos pais e professores. Os médicos são os principais agentes não só na prevenção mas, também, na educação.
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