Psiquiatra português distinguido com prémio internacional na área da esquizofrenia
07/04/15
O médico psiquiatra e investigador na área de esquizofrenia, Dr. Tiago Reis Marques, foi distinguido com o prémio "Young Investigator Award" no 15.º International Congress on Schizophrenia Research (ICOSR), o maior congresso mundial de esquizofrenia. Esta é a primeira vez que um português vence o galardão. "White matter integrity and cortisol levels in relation to treatment response in first-episode psychosis patients" é o título do trabalho premiado que, segundo o investigador, "é um reconhecimento perante o trabalho que a equipa com quem trabalho tem vindo a desenvolver na compreensão das doenças psiquiátricas".
E acrescenta: "Pessoalmente é um importante estímulo para que continue a desenvolver em paralelo uma carreira enquanto médico e enquanto investigador. O prémio focou-se num importante trabalho que nos ajuda a perceber de que forma o stress provoca alterações cerebrais na conectividade cerebral e a relação que isso tem com a resposta terapêutica".
O psiquiatra português de 38 anos exerce atividade no Instituto de Psiquiatria do Kings College, em Londres, onde também leciona atualmente. A sua investigação centra-se na utilização de dados de neuroimagem para a compreensão das doenças psiquiátricas. Recentemente, tem vindo a explorar a relação entre inflamação cerebral e as doenças psiquiátricas, bem como a relação existente entre stress e alterações cerebrais. Ao longo dos anos tem publicado vários capítulos de livros, para além de ser autor e co-autor de inúmeros artigos científicos nos mais importantes jornais da especialidade.
O prémio distingue jovens investigadores que desenvolvem trabalhos de investigação básica ou clínica na área da esquizofrenia. Assim, pretende estimular o desenvolvimento de carreiras científicas focadas nesta doença psiquiátrica que afeta de forma grave o modo de pensar da pessoa, a sua vida emocional e o comportamento em geral.
As pessoas com esquizofrenia sofrem de sintomas psicóticos, alucinações, delírios, alterações do pensamento, da memória e da concentração. Cerca de 1% da população é afetada por esta patologia e está entre as 10 maiores causas de incapacidade devido à doença. O estigma e a falta de adesão à terapêutica estão entre as principais causas do insucesso do tratamento.


