Estudo “Hipertensão Arterial em Portugal 2013” revela menos doentes mas ainda mal controlados
15/04/15
A taxa de prevalência da hipertensão arterial (HTA) em Portugal situa-se nos 26,9%, sendo mais elevada no sexo feminino (29,5%) do que no masculino (23,9%), revela o estudo "A Hipertensão Arterial em Portugal 2013" apresentado esta manhã. Muito menos do que os cerca de 42% para que apontavam estudos anteriores e com percentagens obtidas para o tratamento e controlo da mesma, bastante diferentes entre eles. Como se explica esta diferença tão acentuada? De acordo com o Prof. Doutor Mário Espiga de Macedo, que coordenou o estudo agora apresentado e que em 2003 liderou o Estudo PAP, que apontava para uma prevalência de HTA de 42,1% na população adulta portuguesa, a principal diferença reside na "melhoria dos registos clínicos" observada nos últimos anos nos cuidados de saúde primários, que permitiu obter pela primeira vez uma "radiografia completa do país em relação ao tema abordado", que se afasta bastante dos resultados obtidos em análises epidemiológicas anteriores.
Na realização do estudo hoje apresentado, o Prof. Doutor Espiga de Macedo utilizou como amostra a população inscrita em unidades dos cuidados de saúde primários (CSP) com médico de família atribuído, num total de 9,08 milhões de utentes.
Ainda com base nos dados disponíveis nos registos dos centros de saúde, o professor da Faculdade de Medicina do Porto analisou o número de hipertensos em cada grupo etário, tendo verificado variações muito significativas entre grupos, com a população com menos de 35 anos de idade a registar uma prevalência de apenas cerca de 1%, no caso dos homens e de 1,9%, no caso das mulheres. Já no grupo etário entre os 35 e os 64 anos, a prevalência foi de 24,6% no sexo masculino e de 27,7% no feminino. No extremo da tabela, a população com mais de 65 anos de idade registou prevalências de HTA de 71,3% nos homens e de 75,8, nas mulheres. Relativamente a este último grupo, o também consultor da Direção-Geral da Saúde sublinha o deficiente controlo da HTA, confirmado em apenas 34,4% dos homens e de 35% nas mulheres.
Dos resultados do estudo, sobressai ainda o facto de 50% dos doentes hipertensos apresentarem valores de colesterol total elevados, a aconselhar uma intervenção específica.
Outro dado interessante obtido da análise dos dados recolhidos nos centros de saúde foi o de que se registam variações em alguns casos relevantes entre regiões. Na Região Norte, por exemplo, a prevalência de HTA nas mulheres é de 29,2%, enquanto no Alentejo é de 37,3%. O mesmo relativamente ao controlo da doença. No Norte, 43,9% das mulheres com HTA têm a doença controlada. Já no Algarve, apenas 21,8% o estão.
Para o coordenador nacional para as doenças cardiovasculares, Dr. Rui Cruz Ferreira, o estudo agora apresentado é um ponto de partida importante, uma vez que se trata de uma análise de larga escala que permite ter elementos estatísticos a nível nacional que possibilitem uma intervenção mais dirigida a grupos particularmente afetados, como o dos idosos e o dos diabéticos.
Os dados agora apresentados vão permitir "um estudo e discussão, fundamentalmente pedagógica, no sentido de melhor conhecer a real população portuguesa em relação às variáveis estudadas (HTA, obesidade, diabetes, terapêuticas utilizadas, entre outras), assim como a maior ou menor eficácia das práticas médicas ou das condições da sua realização, aponta o Prof. Doutor Mário Espiga de Macedo, que sublinha que o trabalho agora realizado constituirá uma ferramenta essencial "para um melhor e mais eficaz planeamento dos cuidados de saúde à população portuguesa".


