Anemia é um problema de Saúde Pública revela estudo do Anemia Working Group Portugal

16/04/15
Anemia é um problema de Saúde Pública revela estudo do Anemia Working Group PortugalUm em cada cinco portugueses adultos tem anemia e a maioria não está diagnosticada, estas são apenas algumas das conclusões do estudo EMPIRE levado a cabo pelo Anemia Working Group Portugal (AWGP). A prevalência desta doença é elevada atingindo os 20%, um valor superior à estimativa de 15% da Organização Mundial de Saúde para Portugal. Agrava-se o facto de 84% dos afetados não saber que tem anemia.


Perante os resultados do EMPIRE, a Direção-Geral de Saúde já adotou uma norma de abordagem, diagnóstico e tratamento da anemia. A norma atualizada em janeiro deste ano prevê uma abordagem mais profunda da anemia e dá particular ênfase ao tratamento da ferropenia, tanto pela administração de ferro oral como endovenoso.

A apresentação pública do estudo EMPIRE pelo AWGP, representado pelo seu presidente, Dr. António Robalo Antunes, e secretária-geral, Dr.ª Dialina Brilhante, teve lugar no dia 15 de abril, na Associação Nacional das Farmácias, com a presença da investigadora principal, Prof.ª Doutora Cândida Fonseca.

De acordo com o presidente do AWGP, os números revelados pelo EMPIRE são demonstrativos que "estamos perante um problema de saúde pública em Portugal", tendo em conta que um quinto da população tem anemia e, entre esses, a maioria não foram diagnosticados e, portanto, não estão a seguir qualquer tratamento", sublinhou o Dr. António Robalo Nunes. É ainda de notar que 52,7% de todos os casos de anemia é causada por défice de ferro.

São as mulheres as principais afetadas por esta doença, nomeadamente na faixa etária entre os 18 e os 24 anos em que a prevalência atinge os 30,5%, explicou a investigadora principal, Prof.ª Doutora Cândida Fonseca. A investigadora destacou ainda as mulheres grávidas como um grupo de especial risco, com uma prevalência acima dos 50%. "Nas grávidas, estamos mesmo perante um problema de saúde grave", salientou Dr. António Robalo Nunes dada a prevalência acima dos 40%, reforçando a necessidade da adoção da norma da DGS sobre anemia ferropénica.

Também os idosos são uma população a ser vigiada por terem uma maior propensão para a anemia, uma situação presente em 21% dos idosos participantes.

Quanto às diferenças regionais, a prevalência de anemia é superior nas regiões do Sul (24.9%) e de Lisboa e Vale do Tejo (23,9%), em comparação com o Centro (15,5%) e Norte (17,9%), sendo por isso sugerido pelo AWGP um conjunto de medidas concretas dirigidas às diferenças regionais.

Denunciado o carácter transversal da anemia na população portuguesa, esta doença tem um peso substancial na sociedade ao nível da saúde pública, já que "tem um considerável impacto económico, derivado a uma menor capacidade de trabalho e um maior absentismo laboral dada a elevada fadiga dos doentes", sublinha a investigadora do estudo.

Perante este panorama, a par da divulgação científica e pública do estudo EMPIRE, o AWGP continuará a trabalhar para uma estratégia de abordagem a esta epidemia com as entidades envolvidas, estando em curso a petição para a criação de um Dia Nacional da Anemia, que consciencialize a comunidade médica e a população para esta doença, que afeta todas as funções do organismo.

O AWGP tem também em vista a realização de cursos presenciais itinerantes dirigidos à Medicina Geral e Familiar Formação, como a primeira linha de diagnóstico da anemia, em plataforma de e-learning. E também a articulação com outras sociedades científicas para estudo da Anemia em contextos complementares.
Anemia é um problema de Saúde Pública revela estudo do Anemia Working Group PortugalDr.ª Dialina Brilhante, secretária-geral do AWGP; Dr. António Robalo Nunes, presidente do AWGP, e Prof. Doutora Cândida Fonseca, investigadora principal do estudo EMPIRE
Partilhar

Publicações