Estimular o sistema imunitário contra a doença oncológica
22/04/15
No âmbito dos Encontros da Primavera de Oncologia, a decorrer entre os dias 23 e 25 deste mês, em Évora, terão lugar amanhã dois cursos pré-congresso, dedicados às temáticas de Imuno-Oncologia e aos Cuidados de Saúde Primários no Cancro da Mama.No curso sobre Imuno-Oncologia, coordenado pela Dr.ª Ana Castro e pelos Drs. José Dinis e Sérgio Barroso, serão abordados, durante toda a manhã, temas como o sistema imunitário e o cancro; o racional para a imunoterapia; a avaliação da resposta e indicações atuais e futuras; o papel dos biomarcadores e a perspetiva do SNS relativamente a estas terapêuticas inovadoras.
Com o objetivo de reforçar o sistema imunitário, dotando-o de capacidade para detetar e combater as células tumorais, a imunoterapia veio revolucionar a abordagem de algumas doenças oncológicas. Com mecanismos de ação distintos dos tratamentos convencionais, tais como a quimioterapia ou a radioterapia, a imunoterapia permite que um grupo de doentes com determinadas neoplasias consiga manter a doença controlada ao longo de vários anos. No âmbito da investigação clínica, têm sido demonstrados os significativos ganhos de sobrevivência associados à imunoterapia e discute-se hoje, a possibilidade de associar as terapêuticas mais tradicionais a esta nova modalidade, com o fim de melhor controlar os mecanismos da doença oncológica.
No entanto, a imunoterapia traz consigo novos desafios, nomeadamente no que respeita ao perfil de toxicidade e à avaliação da resposta ao tratamento.
Para melhor gerir os efeitos secundários da imunoterapia, a Dr.ª Ana Castro afirma que "o segredo é educar bem os doentes para as toxicidades e suas formas de apresentação, para que a deteção e tratamento sejam feitos o mais depressa possível", evitando a necessidade de "interrupção ou suspensão do tratamento". Quanto à avaliação da resposta ao tratamento, a oncologista médica do Hospital de Santo António lembra que "existe uma tentativa de criar novos critérios para os doentes tratados com imunoterapia".
Outra preocupação atual reside na necessidade de identificar biomarcadores de resposta à imunoterapia, isto porque, "a taxa de doentes respondedores é, geralmente, mais baixa em relação a outros tipos de tratamento, contudo, a sustentabilidade da resposta é bastante elevada e os ganhos de sobrevivência são muito significativos", como explica a Dr.ª Inês Pires da Silva. Assim, só são elegíveis para este tipo de tratamentos, os doentes que apresentam biomarcadores preditivos de uma boa resposta. Para além de evitar a exposição de doentes não respondedores a estes tratamentos, os biomarcadores permitem também poupar recursos económicos. Até porque, "não é fácil justificar um elevado investimento em tratamentos dos quais apenas 20% dos doentes vão beneficiar", acrescenta a Dr.ª Inês Pires da Silva.
O investimento em terapêuticas inovadoras, nomeadamente para o tratamento das doenças oncológicas é, aliás, o grande desafio que o SNS começa já a enfrentar e que, nos próximos anos, será mais difícil de gerir, tendo em conta o aumento exponencial da prevalência deste grupo de patologias. Segundo a Dr.ª Ana Escoval, "são inegáveis os ganhos trazidos pela imunoterapia", no entanto, os recursos são finitos. "Temos de analisar muito bem a relação de custo-benefício e repensar os modelos de comparticipação, de forma a encontrarmos a melhor gestão", com base numa "maior responsabilização, numa maior transparência e numa maior rapidez na decisão", sublinha a docente da Escola Nacional de Saúde Pública e presidente da direção da APDH (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar).
Estes e outros temas serão, amanhã, tema de discussão no curso pré-congresso sobre imunoterapia, no qual vão também participar o Dr. José Dinis e o Prof. Doutor Machado Caetano.


