Português premiado pela Associação Americana para a Investigação do Cancro

24/04/15
NF Noel de Miranda 53db9A Associação Americana para a Investigação do Cancro atribuiu uma bolsa no valor de 93 mil euros ao Prof. Doutor Noel de Miranda (na fotografia), antigo aluno de Biologia Aplicada da Universidade do Minho. O galardão, entregue em Filadélfia, nos EUA, visa apoiar a investigação na área do tratamento do cancro colorretal, também conhecido por cancro intestinal.


Esta é a segunda causa de morte por doença oncológica em Portugal. Este tumor é a causa da morte de cerca de10 pessoas por dia.

O investigador, de 32 anos, ingressou no Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, após a UMinho, para desenvolver um doutoramento relacionado com o cancro colo-rectal. Realizou um pós-doutoramento no Instituto Karolinska, na Suécia. Atualmente, é investigador no Centro Médico da Universidade de Leiden, onde se dedica ao estudo de genética e imunologia em cancro colorretal.

"É uma contribuição preciosa para prosseguir a minha carreira nesta área, adquirir independência e estabelecer o meu próprio grupo de investigação no futuro. Acarreta também um sentimento de grande responsabilidade, uma vez que o financiamento é assegurado através das contribuições de (ex-)doentes, familiares e outras pessoas que se dedicaram a esta causa", afirma o Prof. Doutor Noel de Miranda.

E acrescenta: "Não é muito comum a atribuição de um prémio por parte de uma associação americana a um investigador europeu que desenvolve o seu trabalho numa instituição da Europa."

A sua investigação tem como principal objetivo o desenvolvimento de estratégias que estimulem o sistema imunitário de doentes com cancro colorrectal de forma a que as células tumorais possam ser identificadas e eliminadas pelo mesmo. O sistema imunitário tem a capacidade de reconhecer proteínas anormais produzidas pelas células cancerosas. Contudo, nos pacientes, nem sempre se verifica uma resposta imunitária competente durante o desenvolvimento de cancro colorretal.

O seu trabalho, intitulado "Desenvolvimento de imunoterapias personalizadas para doentes com cancro colorretal em estádio avançado", propõe a utilização das proteínas que se encontram modificadas nas células tumorais para estimular uma resposta imunitária contra as mesmas, algo semelhante ao que é feito através da vacinação contra certas doenças.

"Para isto ser possível, o material genético de cada cancro/paciente tem de ser analisado através de técnicas de sequenciamento avançadas de forma a determinar que proteínas podem ser usadas para potenciar respostas imunitárias num contexto de medicina personalizada", esclarece.

O estudo distinguido é dirigido a indivíduos que desenvolvem este tipo de cancro antes dos 50 anos. Apesar de a doença ser maioritariamente diagnosticada depois desta idade, tem-se observado um aumento da incidência em pessoas mais jovens, principalmente devido às alterações verificadas no estilo de vida dessa população. "Esta faixa etária não é incluída em programas de rastreio para a deteção precoce de cancro colorretal, sendo a doença diagnosticada, muitas vezes, em estádios avançados. Por isso, o desenvolvimento de terapias inovadoras é especialmente importante para este grupo", conclui o investigador.

Partilhar

Publicações