ADEXO alerta para a relação entre a crise financeira e a obesidade
21/05/15
A Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO) alerta para a relação causa efeito entre a falta de dinheiro e a obesidade. No recinto do Castelo de Sines, a Associação assinala o 12.º Dia Nacional da Luta contra a Obesidade, a 23 de maio, numa iniciativa que promove a adoção de hábitos alimentares saudáveis e a prática de exercício físico como prevenção da obesidade. A ação, realizada em conjunto com a Câmara Municipal de Sines e a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, conta com atividades lúdicas, desportivas e rastreios de saúde gratuitos a toda a população.
Em Portugal, três milhões e meio de pessoas tem excesso de peso, dos quais um milhão e meio é obeso e, cerca de 350.000 são super-obesos. A estes números falta acrescentar os da obesidade grave. Um estudo realizado pelos Drs. João Pereira e Céu Mateus, da Escola Nacional de Saúde Pública, indica que a mortalidade associada à obesidade está em cerca de 1500 pessoas por ano
A maioria dos 19 hospitais acreditados como centros de tratamento tem a primeira consulta fechada para que não apresentem uma lista de espera excessiva, quer de doentes em tratamento ou preparação, quer de doentes indicados para cirurgia. Também o número de obesos a aguardar a primeira consulta tem subido bem como os custos dos tratamentos de urgência que, na maior parte das vezes, não conseguem remediar os efeitos nefastos que a longa espera causou.
Segundo a ADEXO, a crise que afeta Portugal está a aumentar os níveis de obesidade da população, sobretudo nos grupos mais desfavorecidos criando uma relação directa entre desigualdades sociais e excesso de peso.
Vários estudos já comprovaram que a obesidade aumenta nos grupos sociais com menos recursos, uma vez que os alimentos mais calóricos e que atingem mais saciedade têm por base farináceos e gorduras e são mais baratos, em detrimento dos vegetais, peixe e carne bem mais dispendiosos.
Por outro lado, as dificuldades económicas levam à procura de outra actividade profissional como fonte de sustento da família, o que deixa menos tempo para a confecção de refeições mais saudáveis e de maior riqueza nutricional porque sendo mais demorada conduz à aquisição de refeições já confeccionadas.
Com condições financeiras menos favoráveis e com menos tempo disponível, recorre-se à má nutrição que, por sua vez, faz aumentar os números da obesidade. Esta é já considerada a epidemia do século XXI.
Esta realidade gera um ciclo vicioso pois quem sofre de excesso de peso e obesidade tem mais gastos em saúde devido às doenças associadas como a diabetes de tipo 2, doenças do sistema circulatório, da vesícula, hipertensão, doenças respiratórias, artropatias, neoplasia maligna da mama, hiperlipidemia, etc.


