Especialistas discutem doença hepática alcoólica e transplantação

01/06/15
Especialistas discutem doença hepática alcoólica e transplantaçãoA Semana Digestiva 2015, a decorrer de 10 a 13 de junho no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, destaca a doença hepática alcoólica. Portugal é o 10.º maior consumidor de álcool entre a população adulta dos países da OCDE, estimando-se que cerca de 6% da população tenha comportamentos alcoólicos.


Este é um tema de grande importância num país como Portugal, em que o consumo de álcool é responsável por 3,8% das mortes precoces. Um estudo recente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) revela que o álcool é a principal causa de cirrose hepática em Portugal, tendo-se observado que nos últimos 15 anos, 84% dos internamentos por cirrose foram de etiologia alcoólica. Nesse sentido, será abordado na conferência intitulada "A Transplantação Hepática em Discussão", no dia 12 de junho pelas 14h30.

"A doença hepática alcoólica é um dos principais motivos de referenciação para transplante hepático na Europa. No entanto, a transplantação é um recurso indicado a situações muito graves e muito limitado pelo número de dadores, inferior aos candidatos a esta modalidade terapêutica, indicada apenas em doentes muito selecionados", refere a Prof.ª Doutora Helena Pessegueiro, da Unidade de Transplante Hepático e Pancreático do Hospital de Santo António, no Porto.

E acrescenta: "Embora a legislação sobre o consumo de álcool tenha sido recentemente alterada, e sendo o seu consumo proibido a menores de 18 anos, se a fiscalização não for permanente, a lei poderá ter um impacto reduzido na população".

"Mesmo consumos considerados não excessivos, não são isentos de risco", explica, uma vez que a quantidade mínima de álcool necessária para o desenvolvimento de doença hepática não está rigorosamente definida. Podem contribuir para uma maior gravidade da doença hepática alcoólica outros fatores de risco, como o género, a raça negra, a infeção pelo vírus da hepatite C, a obesidade e a sobrecarga de ferro. No entanto, está comprovado que mesmo valores de consumo entre os 12g e os 24g de álcool por dia aumentam o risco de mortalidade por cirrose hepática.

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