Estudo: intervenção do farmacêutico determina adesão à terapêutica
23/06/15
A intervenção do farmacêutico é determinante na adesão à terapêutica de doentes crónicos e população idosa, revelam os resultados do Programa ADHIÉRETE (Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável, EIP-AHA), uma iniciativa da Comissão Europeia com o apoio dos Laboratórios Esteve, que tem como objetivo aumentar a esperança de vida dos cidadãos europeus até 2020. Acabadas de publicar pelo Conselho Geral de Colégios Oficiais de Farmacêuticos de Espanha, as principais conclusões revelam: um aumento entre 35% e 75,7% no cumprimento da medicação após a intervenção dos farmacêuticos; um aumento significativo, com uma média de 5.5 pontos, na qualidade de vida dos doentes; a intervenção do farmacêutico levou a uma redução de 33,4% nos problemas relacionados com a medicação.
Desenvolvido em 51 farmácias comunitárias, de quatro províncias de Espanha, com 114 doentes polimedicados, crónicos e idosos que não cumpriam os tratamentos, o estudo procurou avaliar o cumprimento da farmacoterapia. Baseou-se no uso do sistema de apoio ao cumprimento, sistema personalizado de dosagem (SPD) e aplicações móveis.
Foi registado um aumento do cumprimento nos doentes do grupo SPD, que assinalou 82,9% após a visita final em comparação com o aumento de 57,1% no grupo que usava aplicações móveis. Estes dados e a elevada taxa de abandono demonstram que as novas tecnologias usadas no estudo ainda criam dificuldades aos doentes deste grupo. É de notar que o estudo não revelou diferenças baseadas em género. As conclusões foram equivalentes nos grupos etários.
Os motivos mais comuns para o incumprimento da medicação são: esquecimento, pensar que não era importante tomar todos os dias, desconforto, não comprar a medicação a tempo, dosagem mais forte ou mais fraca que a prescrita e dificuldades em usar a medicação.
O estudo também detetou 257 problemas relacionados com medicamentos, sendo os mais frequentes os associados a inibidores da bomba de protões (8,7%), seguidos de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (6,52%) e inibidores de HMG-CoA redutase (6,52%). Além de não cumprimento, as taxas mais elevadas de problemas envolveram interações (11,3%), dosagem inadequada, tratamento e/ou duração (10%), administração incorreta do medicamento (8%) e a probabilidade de efeitos adversos (4,3%). A intervenção dos farmacêuticos levou a uma descida de 33,4% em problemas relacionados com medicação. Houve ainda 257 casos detetados de resultados negativos associados à medicação, principalmente devido à ineficácia (51%), necessidade da medicação (27%) e riscos à segurança (18%).
Os dados recolhidos durante o estudo de seis meses também revelaram que os doentes registam uma melhoria significativa na perceção de qualidade de vida com um aumento médio de 5.5 (usando o Questionário EuroQoL-5D).


