Investigadores portugueses distinguidos na área do estudo da dor

26/06/15
Investigadores portugueses distinguidos na área do estudo da dorO Prémio da Fundação Grünenthal já tem vencedores. Num total de 15.000 euros, igualmente distribuídos pelo Prémio de Investigação Básica e pelo Prémio de Investigação Clínica, distinguem os avanços na área da investigação em dor. A cerimónia de entrega dos prémios irá decorrer no dia 1 de julho, pelas 17 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


O Prémio de Investigação Básica, avaliado em 7.500 euros, foi atribuído ao trabalho “Modulação dopaminérgica na dor neuropática: ação dos recetores D2/D3 de dopamina na reversão de défices de memória espacial”, da autoria dos Drs. Hélder Cruz, Margarida Dourado, Clara Monteiro, Mariana Matos e Vasco Galhardo, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Instituto de Biologia Molecular e Celular (FMUP/IBMC).

“Esta investigação teve como objetivo avaliar se a prevalência de síndromes dolorosos pode contribuir para uma deficiente transmissão dopaminérgica, e se essas perturbações podem afetar a normal codificação de memórias de curto prazo no hipocampo contribuindo para uma degradação da performance cognitiva”, explica o Dr. Hélder Cruz, investigador principal do estudo vencedor na categoria de Investigação Básica.

E acrescenta: “os resultados revelaram que condições de dor prolongada são responsáveis por uma redução da performance da memória espacial, as quais surgem associadas a alterações da atividade dos circuitos do hipocampo responsáveis pelo seu processamento e a uma expressão anormal de recetores de dopamina. Estes resultados sugerem que a perturbação do equilíbrio da neurotransmissão dopaminérgica pode ter um papel importante na manifestação de défices de aprendizagem e memória em pacientes com dor. De futuro, estes resultados poderão ajudar a compreender como a dor interage com outros circuitos do cérebro de forma a reverter essas perturbações”.

O galardão do Prémio de Investigação Clínica, também de 7.500 euros, foi entregue ao trabalho “Dor em Doença de Alzheimer: pesquisa de um biomarcador para solucionar o problema da sua subavaliação” da autoria dos Drs. Miguel Castanho e Sónia Sá Santos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Dr.ª Isaura Tavares da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e Dr.ª Sara Matos Santos do Serviço de Anestesiologia do Hospital de Cascais.

“Esta investigação teve como objetivo contribuir para o estudo da eventual subestimação da dor e consequente sofrimento em pacientes de Doença de Alzheimer. É necessário ter presente que um paciente com esta doença não tem a mesma facilidade em exprimir a sua dor que um indivíduo saudável. Menos queixas nestes casos não significam necessariamente menos sofrimento; pode significar apenas menos capacidade de expressão da Dor. É urgente conseguir um método de medir suscetibilidade à dor que não passe apenas pela queixa do doente”, refere o Dr. Miguel Castanho, investigador principal do estudo vencedor na categoria de Investigação Clínica.

E acrescenta: “Com esta investigação descobrimos que a dor é, de facto, subavaliada por familiares e prestadores de cuidados de saúde, o que, por um lado, leva a que não se controle devidamente o sofrimento dos doentes, e que, por outro lado, a dor persistente não controlada contribua para agravar a patologia associada à Doença de Alzheimer. Esta relação de ‘interagravamento’ mútuo entre as patologias de dor crónica e Alzheimer torna ainda mais urgente encontrar uma forma objetiva de avaliar suscetibilidade à dor a par com a progressão da Doença de Alzheimer”.

O investigador considera ainda que “o nosso estudo identifica uma molécula analgésica que no futuro poderá contribuir para o entendimento da relação entre Dor crónica e Doença de Alzheimer, além de ser ela própria candidata a molécula que em análises clínicas pode servir de indicador objetivo de suscetibilidade à dor”.

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