Estudo: 78% dos portugueses desconhece o que é o testamento vital

29/06/15
Estudo: 78% dos portugueses desconhece o que é o testamento vitalUm estudo estudo realizado pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), em parceria com a Universidade Católica Portuguesa avaliou o conhecimento dos portugueses sobre o testamento vital. As conclusões indicam que quase 80% da população portuguesa desconhece este direito legal e apenas 50,4% afirma saber como o fazer e a quem recorrer.


O testamento vital é um documento legal (Artigo 2.º, da Lei n.º 25/2012) pelo qual qualquer pessoa pode declarar as suas diretivas antecipadas de vontade (DAV). “O documento aponta para um significativo défice de conhecimento geral, tanto por parte da população, como dos próprios profissionais de saúde que não se deveriam demitir desta função”, explica o Prof. Doutor Manuel Luís Capelas, presidente da APCP.

E acrescenta: “É preciso relembrar que o testamento vital é um direito que assiste a todos os portugueses. Qualquer pessoa pode declarar as suas DAV, que serão respeitadas quando não se está em condições cognitivas para uma tomada de decisão consciente.”

Intitulado “Os portugueses e o Testamento Vital”, o estudo conclui que apenas 22% dos 982 inquiridos conhece o testamento vital. Enquanto que os indivíduos da Grande Lisboa são os que têm mais conhecimento sobre este documento legal (32,9%), no norte do País, apenas 16,9% dizem saber em que consiste. As pessoas com mais rendimentos económicos são as que têm mais conhecimentos sobre o documento (60,5%).

A nível da informação, o estudo aponta os meios de comunicação social como a fonte predominante de transmissão de informação sobre este documento (66,2%), sendo que os médicos de família apresentam um vaor de 2,8% e os enfermeiros de 2,9%. Dos 216 inquiridos que dizem conhecer o testamento vital, apenas 50,4% referem que sabem como o fazer e a quem recorrer. Por último, apenas 1,4% dos inquiridos afirmou já terem realizado o testamento vital.

Segundo o coordenador do estudo, “a zona do País, o grau de instrução e os rendimentos são fatores que influenciam o conhecimento sobre o testamento vital. Conseguimos extrair algumas conclusões por região bastante interessantes que nos mostram, por exemplo, que a opção pela indicação de “não ser submetido a tratamento de suporte artificial das funções vitais” é influenciada pela região, sendo que os que mais referem esta opção são os do Alentejo (66.7%), seguidos pelos de Lisboa (15%) e do norte com 10.5%.”

“Por outro lado, a região do Alentejo apresenta a maior percentagem de pessoas que expressam no testamento vital querer receber cuidados paliativos (60%)”, conclui.

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