Células estaminais abrem caminho no tratamento da esclerose múltipla
14/07/15
Não existem tratamentos que possam reverter os efeitos neurológicos e melhorar a qualidade de vida de quem sofre de esclerose múltipla. No entanto, uma nova linha de investigação com células estaminais realizou a primeira terapia bem-sucedida para o tratamento da doença. Publicado recentemente na revista científica JAMA (The Journal of the American Medical Association), o estudo contou com a participação de 145 pacientes, com uma média de idades de 37 anos. Todos eles foram sujeitos ao transplante hematopoiético com células estaminais, tendo sido seguidos nos dois anos subsequentes ao transplante.
O estudo realizado avaliou a eficácia do transplante hematopoiético, com recurso a células estaminais, com o objetivo de reajustar o sistema imunitário. Os investigadores demonstraram que o transplante hematopoiético se encontra associado a uma melhoria no sistema neurológico e ainda noutros indicadores pós-transplante, representando o primeiro tratamento bem-sucedido em doentes com esclerose múltipla.
De acordo com a escala EDSS (método que permite quantificar as incapacidades ocorridas nos pacientes, durante a evolução da esclerose múltipla ao longo do tempo), dos pacientes que fizeram o transplante com células estaminais, 41 deles demonstraram melhorias significativas ao fim de dois anos e 23 após quatro anos.
Contudo, alertam também para algumas limitações do seu estudo, nomeadamente o facto de ter sido realizado apenas num único centro de transplantação, haver falta de acompanhamento a longo prazo de uma proporção significativa de pacientes e de não ter havido grupo de controlo. Para além disso, os autores referiram ainda que as conclusões deste estudo carecem de um novo ensaio clinico randomizado, de forma a tornar estas conclusões mais definitivas. No entanto, os resultados foram muito animadores.
A esclerose múltipla é uma patologia debilitante do sistema nervoso central, associado à inflamação e danificação da mielina que, por sua vez, protege as células nervosas. As pessoas a quem é diagnosticada esta doença necessitam de ajuda quanto à locomoção no espaço de 15 anos, e é possível que deixem de andar ao fim de 25 anos.


