Novos dados sobre enzalutamida no tratamento do cancro da mama triplo-negativo
15/07/15
No decorrer da Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2015), em Chicago, a Astellas Pharma anunciou novos dados do ensaio clínico de fase II que avalia a utilização da enzalutamida enquanto agente único para o tratamento cancro da mama triplo-negativo (TNBC) avançado com recetor androgénico (AR) positivo. O ensaio clínico de fase II com braço único, aberto e multicêntrico envolveu 118 mulheres com TNBC avançado em duas etapas. O objetivo primário do ensaio era atingir uma taxa de sucesso clínico às 16 semanas (CBR16), definida como a proporção de mulheres com uma resposta completa (CR), resposta parcial (PR) ou doença estabilizada nas últimas 16 semanas.
Dois tipos de população foram avaliados neste ensaio clínico: a população de doentes avaliáveis tinham pelo menos 10% das células na amostra de tumor primário com resultado positivo para o AR e tiveram pelo menos uma avaliação de follow-up do tumor, enquanto a população com intenção de tratamento (ITT) recebeu pelo menos uma dose de enzalutamida e o cancro da mama não apresentava coloração no ensaio imunohistoquímico para o AR. 75 doentes preencheram os critérios para inclusão na população de doentes avaliáveis e um total de 118 doentes foram incluídos na população com ITT. Não havia nenhum limite para o número de tratamentos anteriormente recebidos.
Segundo a Astellas Pharma, nos 75 doentes avaliáveis, a CBR16 foi alcançada em 35% dos doentes (95%, intervalo de confiança (CI) entre 24 a 46) incluindo seis CR/PR. A taxa de benefício clínico após 24 semanas, ou mais, (CBR24) foi atingida em 29% (95%, CI: 20 - 41). A sobrevivência livre de progressão (PFS) mediana foi de 14,7 semanas (95%, IC: 8,1 - 19,3).
Já na população com ITT, a CBR16 foi alcançada em 25% (95% CI: 17-33) incluindo sete CR/PR (6%). A CBR24 foi alcançada em 20% (95% CI: 14-29). A PFS mediana foi de 12,6 semanas (95% CI: 8,1-15,7).
Os dados recolhidos neste estudo permitirão o desenvolvimento de um novo ensaio genómico. O ensaio diagnóstico, que também foi introduzido durante uma sessão da ASCO, foi avaliado pela sua capacidade de identificação de doentes que possam vir a beneficiar com enzalutamida. Aproximadamente 50% da população ITT teve diagnóstico positivo e os dados de acordo com esta metodologia foram os seguintes:
Na população ITT, 39% (95% CI: 27-53) dos doentes com diagnóstico TNBC AR positivo obtiveram CBR16 e 36% alcançou CBR24 (95% CI: 24-49), enquanto 11% (95% CI: 5-21) dos doentes com diagnóstico negativo AR TNBC alcançaram CBR16 e apenas 6% (95% CI: 2-16) alcançou CBR24. A PFS mediana foi de 16,1 semanas (95% CI: 13,3; 27,4) em comparação com 8,1 semanas (95% CI: 7,4; 12,6), respetivamente.
Doentes com diagnóstico TNBC AR positivo tratados em primeira ou segunda linha com enzalutamida na população ITT demostraram uma PFS mediana de 40,4 semanas (95% CI: 16,1- ainda não alcançada) em comparação com 8,9 semanas (95% CI: 7,3; 15,7) em doentes com diagnóstico negativo de doença AR TNBC.
Por último, os efeitos adversos mais comuns (notificados em ≥10%) na população ITT foram a fadiga (34%), náuseas (25%), redução do apetite (13%), diarreia e afrontamentos (10% cada).
O estudo alcançou o seu objetivo primário e o respetivo resumo foi selecionado para ser destacado nas próximas reuniões “Best of ASCO” que condensam, num programa de dois dias, os estudos mais relevantes contendo ciência e educação de ponta apresentados na ASCO.


