CE aprova ibrutinib para tratamento da Macroglobulinemia de Waldenström
23/07/15
A Janssen anunciou a aprovação da Comissão Europeia (CE) para de ibrutinib em cápsulas, como nova opção terapêutica para o tratamento de doentes adultos com Macroglobulinemia de Waldenström (MW), que receberam pelo menos uma terapêutica prévia ou em primeira linha em doentes não elegíveis para quimio-imunoterapia. Até ao momento, não existiam opções terapêuticas aprovadas na Europa para este tipo de neoplasia hematológica rara e de progressão lenta. “A comunidade clínica tem agora à sua disposição um tratamento desenvolvido e avaliado especificamente para este raro linfoma das células B”, segundo o Prof. Meletios-Athanassios Dimopoulos, docente e chairman do Departamento de Terapêutica Clínica na Universidade de Atenas da Escola de Medicina na Grécia. “Os dados clínicos de ibrutinib, na Macroglobulinemia de Waldenström, mostraram que é altamente eficaz nos doentes previamente tratados, providenciando respostas duradouras com perfil de segurança e tolerabilidade aceitável”, acrescenta.
A MW é o terceiro tipo de neoplasia hematológica para o qual a substância ativa está indicada, estando atualmente aprovado na Europa no tratamento de doentes adultos com linfoma das células do manto (LCM) em recaída ou refratário e em doentes adultos com leucemia linfocítica crónica (LLC) que receberam pelo menos uma terapêutica prévia, ou em primeira linha na presença da del17p ou mutação TP53, em doentes não elegíveis para quimio-imunoterapia. Ibrutinib foi igualmente aprovado para o tratamento de MW pela FDA nos EUA, que garantiu a designação de ‘Breakthrough Therapy’ em 2013.
A MW tem origem nas células B (linfócitos) e desenvolve-se na medula óssea.4 A idade média de diagnóstico é de 63-68 anos e a taxa de incidência entre homens e mulheres é aproximadamente 7,3 e 4,2 por milhão de pessoas, respetivamente.
A sequenciação genómica dos doentes com MW tem revelado uma mutação comum no gene MYD88. Esta mutação promove a ativação de um número de alvos, incluindo a enzima Tirosina Cinase de Bruton (BTK), que é um componente-chave necessário à regulação da proliferação das células imunitárias e à sua sobrevivência, tendo um papel nas neoplasias das células B, tais como a MW. Ibrutinib forma uma ligação covalente com a BTK, inibindo a enzima e bloqueando a transmissão de sinais de sobrevivência entre as células malignas B.
“Estamos muito satisfeitos com o que representa o importante progresso de aprovação de ibrutinib para os doentes com Macroglobulinemia de Waldenström na Europa, sendo que esta autorização representa o primeiro tratamento aprovado pela EMA para este raro tipo de linfoma das células B” refere Jan Trapman, tesoureiro do EWMnetwork, organização europeia de referência de doentes com MW.
E acrescenta: "Este é certamente um importante marco para os doentes e as suas famílias, cujos interesses têm estado no centro de uma colaboração internacional entre cientistas, grupos de doentes e autoridades de saúde, focados em trazer esta nova opção de tratamento".
O estudo multicêntrico de fase 2, que teve por base a aprovação da Comissão Europeia, avaliou a eficácia e tolerabilidade de ibrutinib em 63 doentes com MW tratados com toma única diária de 420 mg (mediana de idades de 63 anos, intervalo entre 44-86 anos). Os resultados do estudo foram publicados a 8 de abril de 2015 na edição online do The New England Journal of Medicine. A taxa de resposta global, segundo os critérios adotados do Internacional Workshop on Waldenström’s Macroglobulinemia, foi de 90,5%, 57 dos 63 doentes (IC 95% 80,4-96,4). Onze doentes (17%) obtiveram resposta menor, 36 doentes (57%) obtiveram resposta parcial (RP) e 10 doentes (16%) obtiveram reposta parcial muito boa (RPMB). A mediana de tempo até obter resposta menor e resposta parcial foi de quatro semanas e oito semanas, respetivamente.
Os endpoints secundários incluíram a sobrevivência livre de progressão (PFS), segurança e tolerabilidade de ibrutinib em doentes sintomáticos com MW previamente tratados. A PFS estimada a dois anos e a sobrevivência global, entre todos os doentes foi de 69,1% (IC 95% 53.2-80,5) e 95,2% (IC 95% 86,0-98,4) respetivamente. A reação adversa mais comum no ensaio clínico foi a neutropenia (diminuição dos neutrófilos no sangue) e ocorreu em 14 doentes (22%). A trombocitopenia (diminuição das plaquetas no sangue) ocorreu em nove doentes (14%). Estas duas reações adversas levaram a redução de dose em três doentes (5%) e à descontinuação de quatro doentes (6%).
Ibrutinib é codesenvolvido pela Cilag GmbH Internacional (membro da Janssen Pharmaceutical Companies) e pela Pharmacyclics LLC, uma companhia AbbVie. A Janssen possui os direitos de comercialização de ibrutinib na EMEA (Europa, Médio Oriente e Africa) e no resto do mundo, à exceção dos Estado Unidos, onde a Janssen Biotech, Inc. e a Pharmacyclics LLC têm a copromoção.


