Estudo EUCLID denuncia falhas no diagnóstico da infeção por Clostridium difficile

25/08/15
Estudo EUCLID denuncia falhas no diagnóstico da infeção por Clostridium difficileO estudo EUCLID – o maior estudo de prevalência da infeção por Clostridium difficile (CDI) em doentes internados, que incluiu também a participação de 11 hospitais portugueses - avaliou a prevalência e a eficácia do diagnóstico desta infeção em 482 hospitais de 20 países europeus. O estudo revelou disparidades no diagnóstico e sugere que, anualmente, na Europa, cerca de 40 mil doentes infetados por CDI encontram-se subdiagnosticados.


Este estudo também dá conta de que, na Europa, 23% dos casos não foram diagnosticados pelos hospitais, o que representa quase 80 casos de CDI não detetados, por dia. O EUCLID aponta a pouca sensibilidade dos métodos de diagnóstico da infeção e alguma ausência de suspeita clínica para a CDI como as principais causas que contribuem para este subdiagnóstico.

De acordo com a Dr.ª Mónica Oleastro, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e coordenadora nacional do EUCLID, “verificou-se uma diferença entre a taxa de incidência que é reportada pelos hospitais portugueses participantes (média de 2.9 casos por 10 mil dias de internamento) e a taxa de incidência que se obteve no estudo para o nosso país”. “Tendo em conta as amostras submetidas para o estudo EUCLID, a taxa de positividade em Portugal foi de 19.3 casos/10 mil dias de internamento, valor dentro da média europeia”, assinalou a responsável.

“O estudo decorreu em 2013, mas estes números mostram que, em relação a Portugal e aos restantes países da Europa, existia um subdiagnóstico da CDI, algo que estava associado, em parte, à falta de suspeita clínica”, confirmou a investigadora, referindo ainda, que “os meios de diagnósticos nem sempre são tão sensíveis quanto desejável”.

“Face a estes resultados, o estudo conduziu à necessidade de harmonização dos meios laboratoriais de diagnóstico desta infeção. E também contribuiu para melhorar o conhecimento em relação à prevalência e epidemiologia da infeção, alertando para a necessidade de aumentar a suspeita clínica de modo a melhorar o despiste dos doentes infetados”, completou.

Segundo esclareceu a investigadora, os hospitais “recolhiam as amostras e enviavam o material biológico para o laboratório coordenador”, que, neste caso, em Portugal, foi o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. “As amostras foram analisadas usando um algoritmo de testes otimizado, comparando-se posteriormente os resultados obtidos entre o laboratório coordenador e os laboratórios participantes”.

Com base neste modelo de “algoritmo otimizado”, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu, em 2014, uma norma para o diagnóstico laboratorial de CDI, que “foi um grande passo”. Desta forma, “hoje em dia, o diagnóstico desta infeção está mais harmonizado, existindo menos discrepâncias entre diferentes laboratórios. A melhoria na eficácia do diagnóstico conduz, em última instância, a um maior controlo da infeção por CDI”.

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