O Estudo de Grávidas com Hipertensão Arterial Elevada (EGHTAE) utilizou uma amostra de 139 gravidas com hipertensão e focou-se na análise de três grandes áreas: monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA) como preditor de complicações durante a gravidez, impacto da diabetes gestacional na grávida hipertensa e importância do controlo tensional como terapêutica protetora de eventos adversos no parto, puerpério e/ou pós-parto.
Segundo os resultados apurados, verificou-se que os valores de pressão arterial noturnos são os mais preditores de complicações parto, puerpério e/ou pós-parto, mais especificamente, ocorrência de baixo peso ao nascer, parto precipitado, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, morte materna, fetal e/ou neonatal. Ao contrário da medição da pressão arterial em ambiente de consultório, a MAPA avalia a pressão arterial durante a noite, tendo-se verificado, neste estudo, que a ausência da habitual queda noturna quando dormimos está relacionada com a ocorrência de complicações durante a gravidez. A MAPA consiste num método não invasivo através do qual múltiplas e indiretas medidas da pressão arterial são realizadas automaticamente, podendo a sua duração variar entre um e três dias.
O estudo analisou também a influência da diabetes gestacional em grávidas hipertensas, nomeadamente o impacto desta na ocorrência de complicações na gravidez. Das 58 grávidas com hipertensão arterial gestacional, 10 tinham diabetes gestacional na gestação atual e das 81 grávidas com hipertensão arterial crónica, 19 tinham diabetes gestacional.
Verificou-se que a existência de historial da doença, prévia à gravidez atual, aumenta a probabilidade de ocorrência de eventos materno fetais. Além disso, ter diabetes gestacional em gravidez anterior foi significativo em termos de complicações na gestação atual. Por outro lado, a probabilidade de aparecimento de diabetes gestacional durante a gravidez com hipertensão arterial é de 21%, enquanto que numa gravidez normal é de apenas 12%.
O estudo concluiu que apesar da existência de um controlo tensional adequado, mais de metade das grávidas (51,5%) com medicação prescrita apresenta eventos adversos no parto, puerpério e/ou pós-parto. Segundo os resultados obtidos, a associação entre um controlo tensional adequado e o tipo de hipertensão arterial não é, por si só, suficiente para evitar complicações, pelo que a doença hipertensiva na gravidez não depende apenas do controlo tensional.
Segundo o Prof. Doutor José Mesquita Bastos, coordenador do estudo, chefe de serviço e cardiologista do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Baixo Vouga “nos últimos anos temos assistido ao adiamento da primeira gravidez para idades cada vez mais avançadas, assim como a um menor número de gestações em cada mulher. A sociedade de consumo em que vivemos é responsável por hábitos de vida pouco saudáveis, sendo a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e a hipertensão arterial problemas graves nas mulheres em idade fértil, agravando o prognóstico da gravidez.”
A hipertensão arterial na grávida tem uma prevalência de 10%, sendo responsável por 16% da mortalidade materna.
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