Ordem dos Nutricionistas quer mudança de política na alimentação

18/03/16
Ordem dos Nutricionistas quer mudança de política na alimentação

Apresentado ontem, o relatório “Portugal – Alimentação Saudável em Números 2015”, desenvolvido pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde, retrata o panorama alimentar e nutricional dos portugueses nos últimos anos.

O relatório revelou que os portugueses continuam a ter um padrão alimentar pobre em fruta, rico em sódio e pobre em hortícolas, em especial as crianças e adolescentes, algo que é apontado como um dos principais fatores associados à perda de anos de vida saudável. Os hábitos alimentares desajustados destes adolescentes evidenciam também uma tendência a agravar-se à medida que vão evoluindo em ano de escolaridade.

Apesar de se encontrar uma estabilização no que toca ao número de crianças e adolescentes com excesso de peso, o número de crianças em Portugal que se enquadram nesta condição mantém se acima da média europeia.

Quanto à população adulta, o relatório destaca que quase 53% da população portuguesa com mais de 18 anos tinha excesso de peso em 2014, em particular os cidadãos do sexo feminino com idades entre os 45 e os 74 anos.

Um dos maiores riscos de Saúde Púbica em Portugal continua também a ser o consumo excessivo de sal pelos portugueses, o que poderá estar na origem dos números que indicam que 56,3% dos homens e 51,8% das mulheres com idades compreendidas entre os 35 e os 64 anos são hipertensos.

Face aos resultados verificados, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Dr.ª Alexandra Bento, apelou a uma ação governamental urgente no campo da nutrição. “Este relatório vem provar, mais uma vez, que não existe ainda uma consciencialização suficiente relativamente ao impacto que a alimentação assume na saúde da população”, afirmou a bastonária.

“A alteração de hábitos alimentares inadequados implica, necessariamente, que sejam encontradas estratégias de intervenção política ajustadas e, ao que parece, o que tem sido feito, ainda está muito aquém do desejável. O incremento de nutricionistas no SNS pode ser o início do caminho a percorrer, mas é preciso mais do que isso; como se vê pelos resultados deste relatório, há ainda que integrar nutricionistas nas estruturas escolares e aumentar o seu número nas autarquias para que as estratégias sejam adequadas às necessidades locais”, defendeu a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Leia as considerações completas da bastonária aqui.

Conheça as conclusões deste relatório aqui

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