O coordenador do NEDVIH, Dr. Telo Faria, explica que "os dados epidemiológicos da infeção por VIH dos países de origem dos migrantes que hoje chegam à Europa são escassos, refletindo a debilidade dos respetivos sistemas de saúde. Daí a questão legítima que se deverá colocar: haverá zonas do globo, nomeadamente, a Europa, sujeitas a curto e médio prazo, a aumento de incidência e prevalência da infeção VIH, pelas atuais migrações destes povos, nomeadamente do Médio Oriente, mas também do Leste Europeu?".
Há ainda outras questões que preocupam o especialista: "de que modo poderá acontecer este aumento de prevalência? Diretamente, pela própria imigração de seropositivos ou de modo indireto, por aumento de comportamentos de risco das novas populações? E as atuais estruturas dos sistemas de saúde europeus, terão capacidade de dar respostas adequadas e eficientes?".
Para o Dr.Telo Faria a solução pode passar por "canalizar recursos de saúde pública, em colaboração com as ONGs no sentido de atuarem no terreno, essencialmente em duas vertentes, primeiro, para um conhecimento o mais rigoroso possível da epidemiologia da população imigrante, através de implementação de um modo organizado e eficiente, de um programa de testes rápidos. Depois, dinamizar ações de informação, esclarecimento, formação e implementação de um programa preventivo sobre as referidas populações e, simultaneamente, providenciar no sentido de um acesso rápido e consequente aos serviços de saúde. Tudo isto teria que ser feito com a inteligência e sensibilidade por parte dos serviços de saúde de forma a respeitar os hábitos e cultura desses povos".
A doença VIH e comorbilidades, as hepatites e o VIH e a terapêutica antiretrovírica - estado da arte serão outros dos temas em debate nestas jornadas, durante as quais o NEDVIH atribuirá um prémio no valor de mil euros ao melhor caso clínico.


