Segundo o estudo, que foi apresentado durante o Congresso Português de Cardiologia, quando consideradas duas populações alvo de avaliação numa proporção idêntica entre homens e mulheres, constituída por cerca de 400 doentes com mais de 40 anos sob terapêutica hipolipemiante, as mulheres apresentam uma carga aterosclerótica mais baixa e valores de colesterol total e c-LDL mais elevados que os homens.
Ainda de acordo com a pesquisa, a análise por grupos de risco mostra que as mulheres apresentam valores de colesterol total e LDL mais elevados que os homens, diferenças significativas nos doentes diabéticos e nos doentes com doença coronária. Os valores encontrados estão muito longe dos alvos preconizados pelas recomendações da European Society of Cardiology (ESC).
"O objetivo deste estudo prendeu-se com perceber se há diferença de género na abordagem aos lípidos para além da literatura e perceção a nível mundial. Havia indícios que a medicação usada para tratamento do colesterol - estatinas - é menos eficaz nas mulheres do que nos homens. Mas não tínhamos nenhuma informação que suportasse esta hipótese", afirmou em comunicado o Prof. Doutor João Morais, coordenador do estudo DISGEN-LIPID, concebido pelo projeto "Challenges in Cardiology" desenvolvido no Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Leiria (CHL).
Há diferenças de género na abordagem dos lípidos em Portugal? Foi a questão concreta de natureza científica a que o projeto científico DISGEN-LIPID procurou dar resposta, contribuindo para o conhecimento na área dos lípidos através da investigação das diferenças de género neste domínio.
O registo observacional promovido pelo "Challenges in Cardiology" e patrocinado pela Jaba Recordati tem como investigador principal o Prof. Doutor João Morais, que integra a comissão executiva e científica composta ainda por Dr. Pedro Marques da Silva e Dr. Carlos Aguiar.


