A doença inflamatória intestinal corresponde a duas doenças distintas que têm algo em comum: doença de Crohn e colite ulcerosa. Desde logo distinguem-se porque a primeira pode atingir qualquer órgão do tubo digestivo (desde a boca até ao ânus), se bem que mais frequentemente atinja apenas o intestino delgado e/ou o intestino grosso, enquanto a segunda atinge apenas o cólon (intestino grosso).
Ambas têm em comum o facto de poderem provocar inflamação dos órgãos atingidos e são doenças crónicas que evoluem ao longo do tempo sob a forma de surtos intercalados com períodos de acalmia, não existindo ainda uma cura definitiva para as mesmas. A inexistência da cura estará relacionada com o facto de se desconhecer com exatidão os fatores desencadeantes que originam o aparecimento da doença.
Em Portugal estima-se que existam cerca de 150 doentes por cada 100 000 habitantes, distribuídos igualmente por ambas as doenças, com predomínio do sexo feminino, atingindo em maioria o escalão etário dos 17-39 anos na doença de Crohn e dos 40-64 anos na colite ulcerosa.
Ambas as doenças se manifestam mais frequentemente por dores abdominais, diarreia, perdas de sangue com as fezes ou emagrecimento.
O Prof. Doutor José Cotter, presidente da SPG, esclarece que “o diagnóstico faz-se por um conjunto de análises e exames complementares de diagnóstico e o acompanhamento implica além de uma vigilância clinica especializada, a utilização dos meios de endoscopia digestiva, só ao alcance dos gastrenterologistas que são os especialistas que dominam esta tecnologia” e acrescenta que “no caso destas doenças as técnicas de endoscopia digestiva desempenham um papel importante não só no diagnóstico, mas também no acompanhamento com vista à otimização dos tratamentos”.
A evolução dos tratamentos tem sido notória nos últimos anos, com a possibilidade de utilização de fármacos que combatem a inflamação, outros que atuam sobre o controlo das defesas do organismo e outros que impedem reações descontroladas do próprio sistema imunitário que ainda originariam mais inflamação.
A SPG, no âmbito da sua atividade científica e formativa, dedica a maior atenção à doença inflamatória intestinal, que é hoje um problema de saúde que está em crescendo nas sociedades contemporâneas. Trata-se de uma doença habitualmente abordada por qualquer médico especialista em gastrenterologia, conseguindo-se face aos avançados meios técnicos e farmacológicos disponíveis, proporcionar em grande parte dos casos um bom quotidiano e um excelente prognóstico para os doentes.


