Um estudo em desenvolvimento no Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS) da Universidade da Beira Interior (UBI) está a obter resultados promissores na utilização de nanopartículas contendo ácido retinóico para a recuperação de pacientes que sofreram AVC.
Em análise está o potencial de um composto que possibilita a administração eficaz de ácido retinóico, cujos resultados obtidos até ao momento apontam para a possibilidade de tratamento de vasos sanguíneos e do tecido neuronal afetados por um AVC isquémico.
No artigo, numa primeira fase, fica demonstrado que há fortes possibilidades de o agente terapêutico proposto – o composto que combina ácido retinóico em nanopartículas – reabilitar as células endoteliais dos vasos sanguíneos, afetadas pelo mesmo tipo de dano que ocorre durante um AVC.
No entanto, o estudo indica outro benefício: a reabilitação das células endoteliais permitirá recuperar o tecido neuronal, através do estímulo da sobrevivência, proliferação e diferenciação das células estaminais neurais em neurónios adultos, que poderão repovoar a área de lesão.
Em teoria, de acordo com a investigadora Raquel Ferreira, a administração destas nanopartículas “não só pode reabilitar os vasos propriamente ditos, mas igualmente possibilitar que novos nerónios proliferem, migrem para a zona de lesão e sobrevivam”.
Durante a investigação foram também recolhidas células progenitoras endoteliais do sangue de vítimas de AVC e o tratamento com o composto em análise fez aumentar o seu número, abrindo as portas a duas utilizações desta técnica. “Podemos ter duas possibilidades. Uma delas é a administração destas partículas de forma intravenosa, de maneira a estimular o mecanismo de regeneração interno. Para isso ainda é necessário fazer ainda uma série de testes para confirmar que não há riscos para outros órgãos. Mas podemos também recolher as células progenitoras endoteliais e aumentar o seu número in vitro e voltar a injetá-las no doente para que façam o que sabem de melhor: promover a reparação tanto vascular como do tecido cerebral”, explica Raquel Ferreira.
A investigadora espera agora ter “dentro de um ano” mais elementos, depois de realizar testes em modelo animal. “Atendendo aos resultados, que para já parecem estar bem encaminhados, vou tentar ensaios preliminares em modelos mais complexos”, salienta.
A publicação na “Nanoscale”, editada pela Royal Society of Chemistry, vem credibilizar a investigação, já que se trata de uma revista científica que está entre as melhores e se direciona para a aplicação de terapêuticas de novas formulações. “Isso acaba por validar o que estamos a fazer aqui, porque é uma publicação que os profissionais da área vão ler e reconhecer como muito relevante”, conclui Raquel Ferreira.
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