Investigação: Ansiedade crónica afeta de forma diferente homens e mulheres

14/10/16
Investigação: Ansiedade crónica afeta de forma diferente homens e mulheres

Uma equipa de investigadores, liderada pela Dr.ª Catarina Gomes, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), e pela Dr.ª Luísa Pinto, investigadora do Instituto das Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, descobriu um mecanismo que explica como a alteração do sistema imunitário durante a gravidez tem implicações na génese da ansiedade crónica e que afeta de forma diferente o sexo masculino e o sexo feminino.

 

O estudo, que envolveu investigadores do Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (IBILI) e do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), ambos da Universidade de Coimbra, em colaboração com o ICVS, centrou-se nas células da microglia, “células especializadas do sistema imunitário que regulam o normal funcionamento do cérebro durante toda a nossa vida”, explica a coordenadora do estudo, Dr.ª Catarina Gomes.

A partir de experiências num modelo animal de ansiedade crónica, resultante de uma alteração do sistema imune da grávida, os investigadores estudaram, desde o nascimento até à idade adulta, as anomalias na microglia originadas pela alteração no ambiente imunitário in útero. Observaram que “a microglia adota uma morfologia anómala em ambos os sexos, mas as anomalias são diferentes no sexo feminino e no sexo masculino”, esclarece a Dr.ª Catarina Gomes.

Os resultados do estudo publicado na revista Molecular Psychiatry, do grupo Nature, além de revelarem o importante papel do sistema imunitário na génese da ansiedade crónica, colocam dois novos desafios à indústria farmacêutica que atua na área da Psiquiatria.

Por um lado, o desenvolvimento de fármacos que tenham como alvo outras células, para além dos neurónios. Por outro, este “novo” alvo terapêutico “abre novas perspetivas ao design de fármacos diferenciados para homens e mulheres destinados à ansiedade crónica.

 

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