Conferência internacional coloca esclerose tuberosa no centro do debate

25/10/16
Conferência internacional coloca esclerose tuberosa no centro do debate

Entre os dias 3 e 5 de novembro, a Associação de Esclerose Tuberosa em Portugal (AETN) realiza a Conferência Internacional de Investigação em Esclerose Tuberosa. O evento estreia-se em Portugal, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, juntando especialistas e doentes de todo o mundo.

“A esclerose tuberosa é um distúrbio genético raro mas grave, uma vez que é responsável pelo desenvolvimento de tumores benignos que comprometem a função de vários órgãos do nosso corpo, como coração, olhos, pulmões e pele. Temos ainda o caso dos tumores benignos cerebrais e renais que também são muito frequentes e graves, uma vez que colocam a vida dos doentes em risco”, explica Micaela Rozenberg, presidente da AETN.

Durante a Conferência vão ser apresentados os resultados do esTUpt, um estudo epidemiológico sobre a esclerose tuberosa em Portugal, da responsabilidade da Escola Nacional de Saúde Pública/Universidade Nova de Lisboa. Com esta iniciativa, a AETN pretende contribuir para o desenvolvimento de estratégias, por parte das autoridades de Saúde e comunidade médica, capazes de responder às necessidades destes doentes.

Quase 100% dos doentes com esclerose tuberosa apresentam sinais da doença no cérebro, sendo as manifestações mais frequentes a epilepsia ou as convulsões. Estima-se que em todo o mundo, entre 75 e 90% destes doentes vão sofrer de epilepsia durante a sua vida e grande parte dos bebés com esclerose tuberosa têm um episódio convulsivo ainda no primeiro ano de vida.

Micaela Rozen revela que “a esclerose tuberosa pode causar diversos tipos de lesões cerebrais como, por exemplo, massas anormais de tecido que se encontram na parte superficial do cérebro; nódulos subependimários, que são nódulos com, geralmente, menos de 1 centímetro; e astrocitomas de células gigantes, também conhecidos como tumores de células gigantes. Estes últimos desenvolvem-se em cerca de 15% dos doentes e manifestam-se nos primeiros 20 anos de vida”.

“Algumas pessoas apresentam todas as lesões, enquanto outras não apresentam envolvimento cerebral. No entanto, sabe-se que quase 100% dos doentes apresentam sinais da doença no cérebro”, conclui Micaela Rozenberg.

Apesar de ser uma doença rara para a qual ainda não se conhece cura, existem atualmente medicamentos disponíveis para o tratamento dos diferentes sintomas. As manifestações e prognóstico variam de caso para caso, em função dos órgãos envolvidos e da gravidade dos sintomas, sendo os mais comuns as alterações cutâneas e convulsões. Os tumores benignos cerebrais e renais são também frequentes e comportam risco de vida para os doentes.

Mais informações em www.esclerosetuberosa.org.pt.

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